Ao longo dos últimos meses cresceram o número de casos de ataques a rebanhos e outras espécies por parte dos lobos-ibéricos na região do Alto Minho, mesmo não sendo reconhecida como uma área populacional da espécie. O aumento de casos no Norte, levou o Governo a reforçar as compensações financeiras, ainda por conhecer, fornecidas aos produtores lesados.
O anúncio partiu, recentemente, do ministro da presidência, António Leitão Amaro, que adiantou que o intuito deste auxílio consiste em compensar os agricultores devido às medidas de proteção da espécie ibérica, em Portugal. Uma realidade que não se reflete na vizinha Espanha, em que é permitida a caça do lobo-ibérico, adiantam as organizações: Green Impact ETS, a Rewilding Portugal e o Fondo para la Protección del Lobo Ibérico.
Em comunicado, as entidades realçaram que esta população, apesar de se encontrar protegida em território nacional, há mais de três décadas, não o é no país ao lado, após alterações recentes da legislação. As organizações exigem que seja criado um plano comum entre ambos países para a conservação animal da espécie.
De acordo com António Leitão Amaro o objetivo é simples: assegurar que os produtores de gado se mantenham salvaguardados caso ocorram ataques aos seus rebanhos, permitindo que fiquem “numa posição mais equilibrada e harmoniosa face à proteção desta espécie”.
No entanto, e apesar dos apoios fornecidos, está imposto no Decreto-Lei n.º 54/2016, que “é da responsabilidade de cada criador adotar as medidas de proteção que melhor se adequem à sua prática de pastoreio de modo a minimizar o risco de ataque de lobo, seja pela presença de pastor e de cães de proteção de gado, seja pela utilização de estruturas que confinem os animais”. Como é o caso do pastoreio elétrico aplicado na área de Paisagem Protegida do Corno do Bico, em Paredes de Coura, desempenhado para a prevenção de incêndios e para a redução do ataque de lobos.
O técnico coordenador do Green Gap, Emanuel Oliveira, sustentou que foi “instalada rede eletrificada na área de pastoreio, reduzindo o risco de ataques e garantindo uma “maior segurança às cabras”. Para além disso, existe o uso de “um dispositivo GPS, por parte das cabras, que permite saber onde estão, se estão a pastar, a descansar ou a fugir de um lobo, permitindo um agir com celeridade”.
Atualmente, os produtores de gado já têm direito à indemnização pelos prejuízos causados por ataques de lobo ibérico, paga até 50% até ao 15.º ataque atribuído ao lobo em cada ano civil.
c/ Lusa
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