O Exército volta a patrulhar a Serra de Santa Luzia, em Viana do Castelo, a partir do dia 1 de junho, numa operação de vigilância florestal que se prolonga até 30 de setembro e que a autarquia considera determinante para evitar novos incêndios numa das zonas mais emblemáticas do concelho.
O protocolo entre a Câmara Municipal de Viana do Castelo e a Escola dos Serviços foi renovado e prevê o destacamento de oito militares, quatro sargentos e quatro praças, para ações diárias de patrulhamento durante o período mais crítico do ano em matéria de incêndios rurais.
A colaboração entre as duas entidades começou após os incêndios de 2005 e 2010 que atingiram a serra e transformou-se, entretanto, num modelo de prevenção que o município aponta como decisivo para a redução das ocorrências em Santa Luzia.
Ao longo dos últimos 15 anos, a presença militar na serra coincidiu com uma redução significativa do número de ocorrências graves naquela área florestal, transformando o modelo de vigilância num dos exemplos mais duradouros de cooperação entre o poder local e o Exército na prevenção de incêndios rurais. “Este protocolo tem tido resultados extraordinários. Tivemos ciclos muito complexos, em que se repetiram eventos dramáticos, e desde que assumimos este modelo o ciclo inverteu-se completamente”, afirmou o presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre.
Este ano, devido às condições meteorológicas e ao risco de incêndio, o período de vigilância foi antecipado em duas semanas.
Os militares entram no terreno já a 1 de junho, assegurando operações diárias entre as 10h00 e as 19h00, em articulação com o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alto Minho e os Bombeiros Sapadores de Viana do Castelo.
O comandante da Escola dos Serviços, coronel Paulo Rainha, disse que a missão exige “elevada coordenação” entre as várias entidades envolvidas e sublinhou o valor simbólico da Serra de Santa Luzia para o concelho. “A Serra de Santa Luzia é muito mais do que um espaço natural de reconhecida beleza paisagística. É um símbolo identitário de Viana do Castelo, profundamente enraizado na memória coletiva das suas gentes”, afirmou, acrescentando: “Protegê-la é preservar uma parte essencial da identidade desta população.”
Segundo o responsável militar, os elementos destacados para a missão conhecem bem o terreno, uma vez que a Escola dos Serviços mantém atividade regular na Carreira de Tiro de Viana do Castelo. “Cada patrulhamento, cada observação atenta e cada ação preventiva podem representar a diferença entre a segurança e a tragédia”, afirmou Paulo Rainha.
O protocolo prevê que a Escola dos Serviços disponibilize diariamente uma viatura e dois militares para operações de vigilância e deteção precoce de incêndios rurais.
Em contrapartida, a Câmara Municipal assegura os meios logísticos e os encargos associados à operação, estimados em cerca de 6.500 euros.
Além da vigilância, o objetivo passa também por reduzir comportamentos de risco e diminuir o tempo de resposta a eventuais ignições numa das áreas florestais mais sensíveis do concelho durante os meses de verão.
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