Viana do Castelo recebe embarcação reconstruída no reforço do salvamento marítimo 

A Marina de Viana do Castelo acolheu a cerimónia de entrega de três embarcações de salvamento marítimo ao Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), no âmbito de um processo de reconstrução que acabou por transformar os meios em unidades praticamente novas. O investimento integra a última fase de um concurso público da Direção-Geral da Autoridade Marítima (DGAM) e ronda os 475 mil euros.

Micaela Barbosa
26 Mai. 2026 5 mins

As embarcações SR 30, SR 35 e SR 39, construídas entre 2009 e 2011, encontravam-se inoperacionais há mais de dois anos, situação que condicionava a capacidade de resposta do dispositivo nacional de salvamento marítimo, e foram alvo de uma intervenção inicialmente pensada como modernização de meia vida. O processo evoluiu, contudo, para uma solução mais profunda, com substituição estrutural em parte dos meios. “O que começou por ser uma modernização resultou numa intervenção mais ambiciosa: duas embarcações totalmente novas e uma terceira reconstruída de raiz”, explicou o diretor-geral da Autoridade Marítima, vice-almirante Nuno Chaves Ferreira, sublinhando o reforço de fiabilidade, segurança e longevidade das embarcações.

O responsável destacou ainda o impacto operacional destes meios no dispositivo nacional de salvamento marítimo, referindo que “cada embarcação representa vidas que podem ser salvas e confiança reforçada junto das comunidades marítimas”. “O dispositivo nacional conta com 24 embarcações costeiras do tipo salva-vidas, mas atualmente dispõe apenas de 19 unidades, incluindo as agora entregues”, acrescentou, evidenciando uma lacuna que o Estado procura colmatar com urgência.

Na cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, destacou a cooperação institucional e o papel do mar na estratégia do território. “Estamos num momento de reconhecimento da excelência das relações com a Marinha e com a Autoridade Marítima, mas também com o nosso setor empresarial”, afirmou, defendendo a valorização da economia circular e da reabilitação de equipamentos.

O autarca sublinhou ainda que o reforço dos meios contribui para um “ambiente de segurança e confiança”, particularmente relevante num concelho com extensa frente atlântica e forte atividade ligada à pesca e aos desportos náuticos.

Para o autarca, “recuperar e reconstruir não é um ato menor, é um ato de excelência”, enquadrando a intervenção como exemplo de sustentabilidade aplicada à gestão pública.

A empresa responsável pela reconstrução, a Navallethes, destacou o desempenho técnico das embarcações.

O administrador, Francisco Portela Rosa, referiu que os meios atingem velocidades na ordem dos 40 nós (cerca de 80 quilómetros por hora), sublinhando essa capacidade como determinante em operações de salvamento, e destacou ainda a introdução de sinais sonoros de localização para situações de baixa visibilidade no mar.

O vice-almirante Nuno Chaves Ferreira enquadrou a entrega das embarcações num esforço mais amplo de modernização do dispositivo nacional de salvamento marítimo, reconhecendo a existência de desafios estruturais, mas sublinhando a resposta contínua do sistema. “Todas as estações conseguem acorrer às necessidades de salvamento marítimo”, afirmou, acrescentando que o investimento recente em meios já ultrapassa os 2,5 milhões de euros. Nesse âmbito, destacou ainda a modernização recente de quatro embarcações costeiras — SR 28 (Leixões), SR 40 (Funchal), SR 42 (Figueira da Foz) e SR 41 (Douro) — num investimento de “cerca de 450 mil euros”, bem como a aquisição de motas de água e a modernização em curso das unidades de apoio marítimo de grande capacidade.

O responsável revelou ainda que foi lançado um concurso público para a aquisição de quatro novas embarcações de salvamento marítimo com cerca de 10 metros, pelo valor base de um milhão de euros, com entrega prevista até ao final do ano, reforçando o investimento contínuo na área.

As embarcações agora entregues serão distribuídas por diferentes pontos do país, incluindo Viana do Castelo, Cascais e Nazaré, em função das necessidades operacionais, sendo que o distrito de Viana do Castelo se encontra, segundo o responsável, totalmente coberto em termos de meios e recursos humanos.

No final da cerimónia, o vice-almirante Nuno Chaves Ferreira adiantou que está em curso o processo de reativação da estação salva-vidas de Caminha, no âmbito de um protocolo com a autarquia local, sublinhando que a iniciativa visa reforçar a cobertura do dispositivo na região.

O responsável explicou que o projeto deverá avançar em articulação com a aquisição de novos meios e recrutamento de tripulantes, integrando o reforço global do sistema de salvamento marítimo.

Segundo referiu, a estação deverá estar operacional “no final do ano”, caso os prazos em curso se confirmem, acrescentando que se trata de um processo em fase avançada de implementação, embora dependente da concretização dos vários componentes operacionais e logísticos.

O vice-almirante deixou ainda a garantia de que o país dispõe de meios para responder às missões de salvamento, sublinhando que o reforço do dispositivo continuará a ser uma prioridade permanente, ainda que “os meios nunca sejam suficientes” face às exigências do serviço.

Tags Economia

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