Paredes de Coura investe 400 mil euros no Caminho de Santiago e reforça aposta no património religioso 

O Município de Paredes de Coura vai investir cerca de 400 mil euros na requalificação do Albergue Municipal de Pedro de Rubiães e na melhoria das condições de segurança do Caminho Português de Santiago no concelho, numa aposta que a autarquia enquadra também na valorização do património religioso e identitário do território.

Micaela Barbosa
25 Mai. 2026 4 mins

O anúncio foi feito durante as comemorações dos 20 anos do albergue, numa iniciativa que incluiu a apresentação do livro As igrejas do concelho de Paredes de Coura – Memórias e Património, da autoria de José Carlos Ferreira, e que contou com a presença do Bispo de Viana do Castelo, D. João Lavrador.

A sessão decorreu na Igreja Românica de Rubiães e terminou com uma caminhada de peregrinação até ao albergue municipal.

Segundo a autarquia, o investimento prevê intervenções de eficiência energética e conforto no edifício que acolhe peregrinos do Caminho de Santiago, incluindo reforço do isolamento térmico, renovação dos sistemas de climatização e aquecimento de águas, instalação de ventilação mecânica e painéis fotovoltaicos, além da remodelação integral dos balneários.

O município pretende também “reforçar a segurança nos troços do Caminho Português de Santiago” que atravessam estradas nacionais ou zonas de maior tráfego automóvel. 

Entre as medidas previstas estão nova sinalização, criação de zonas de atravessamento com maior visibilidade e separadores físicos entre peões e automóveis. 

Em parceria com os municípios de Ponte de Lima e Valença, está ainda prevista a criação de um sistema de localização e apoio a peregrinos em zonas com fraca cobertura móvel.

Na apresentação do livro As igrejas do concelho de Paredes de Coura – Memórias e Património, José Carlos Ferreira defendeu uma visão do património ligada à memória coletiva e à identidade das comunidades locais.  “O património não é apenas o passado, é o reflexo daquilo que somos hoje”, afirmou José Carlos Ferreira, autor da obra agora apresentada. 

O jornalista descreveu o trabalho de dois anos realizado no concelho como “uma viagem” pelas paróquias, igrejas e comunidades courenses. “Uma igreja de uma aldeia ou de uma vila não é só um edifício de granito e talha dourada. É o lugar onde gerações rezaram, celebraram casamentos, batizaram os seus filhos e encontraram conforto”, disse.

O livro encerra uma trilogia dedicada ao património edificado do concelho, depois de Capelas do Concelho de Paredes de Coura e As Casas com História do Concelho de Paredes de Coura. Para o autor, a transformação dos antigos suplementos publicados no Diário do Minho em livro permite criar um registo duradouro da memória local. “O jornal voa com o vento até ao dia seguinte, mas o livro permanece”, resumiu.

O presidente da Câmara de Paredes de Coura, Tiago Cunha, defendeu que a obra “é muito mais do que um livro sobre património” e representa “um legado para a memória coletiva”. “O verdadeiro património não são as pedras nem os edifícios. São as pessoas que lhes dão vida”, afirmou, numa intervenção centrada no papel das comunidades locais, sacerdotes, zeladores e habitantes na preservação do património religioso do concelho.

O autarca agradeceu publicamente aos padres que “mantiveram as comunidades vivas durante todos estes anos” e destacou o papel de habitantes anónimos, como “as Donas Alice” das freguesias, responsáveis por cuidar diariamente das igrejas e espaços religiosos. “São essas pessoas que fazem com que as nossas igrejas estejam conservadas, cuidadas e tenham vida”, afirmou.

Tiago Cunha sublinhou ainda que o património deve ser entendido como uma responsabilidade intergeracional e não apenas como memória do passado. “No momento em que recebemos património, assumimos a obrigação de o manter e valorizar”, declarou.

Também D. João Lavrador destacou a dimensão cultural e comunitária da obra, considerando tratar-se de “uma obra com profundidade e abrangência”, capaz de ligar “a beleza do património à história, às raízes e às pessoas que o preservaram”. “O património cria laços entre o passado e o presente”, afirmou, defendendo uma maior valorização do património religioso enquanto espaço de cultura, encontro e coesão social. 

Na sua intervenção, o Bispo alertou ainda para a necessidade de formar a sociedade para o cuidado e preservação do património, considerando que “o património é uma realidade importantíssima na vida de uma sociedade como a nossa”.

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