A Guarda Nacional Republicana (GNR) vai reforçar, em 2026, o dispositivo de segurança no Caminho Português da Costa rumo a Santiago de Compostela, numa operação que aposta em mais tecnologia, maior visibilidade no terreno e medidas de proximidade aos peregrinos. A iniciativa foi apresentada em Vila Nova de Cerveira, no âmbito da operação “Bom Caminho 2026”, num contexto em que o percurso continua a registar uma forte procura.
A iniciativa foi apresentada em Vila Nova de Cerveira, no âmbito da operação “Bom Caminho 2026”, num contexto em que o percurso continua a registar forte crescimento de procura.
Segundo os dados avançados, “de 2024 para 2025, [houve] um aumento de 20% no número de turistas e peregrinos que escolheram este percurso”, tendência que, segundo o mesmo comunicado, “é de crescimento permanente”.
A GNR sublinha que a segurança é uma prioridade partilhada com as autoridades espanholas. Durante a apresentação, o comandante do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo, coronel Maciel da Silva, garantiu que “é um caminho totalmente seguro e assim vai continuar a ser, com a aplicação dos recursos e meios da GNR e da Guardia Civil”. “Há mais meios e a GNR tem procurado ajustar o dispositivo à realidade”, acrescentou.
Entre as principais novidades da operação para este ano está a introdução de pulseiras com o número nacional de emergência, destinadas aos peregrinos, bem como a utilização reforçada de drones no terreno.
Segundo o comunicado, estas medidas visam reforçar a vigilância e apoiar a operação, incluindo o combate a “alguns episódios de exibicionismo de cariz sexual”.
Mantém-se também o patrulhamento em várias vertentes — apeado, a cavalo, em bicicleta, rodoviário e ambiental — agora complementado por meios tecnológicos.
A GNR reforça ainda um conjunto de recomendações aos peregrinos, deixando conselhos como “não viajar sozinho, proteger os bens e ter atenção ao trânsito e a terceiros”.
A operação decorre até 31 de outubro e pretende reforçar a prevenção e a proximidade entre forças de segurança e peregrinos, num dos caminhos de Santiago com maior crescimento na Europa.
No mesmo encontro, foi ainda anunciado o futuro albergue municipal de Loivo, em Vila Nova de Cerveira, com capacidade para 32 pessoas.
O espaço, segundo o presidente da Câmara, Rui Teixeira, terá “características únicas”, incluindo bicicletas elétricas, audioguias, sinalética em braille e monitores tácteis com informação sobre o Caminho.
O investimento total ascende a 383.644 euros, contando com financiamento do Turismo de Portugal no valor de 268.550,80 euros.
O autarca afirmou que o objetivo é “dar mais vida aos caminhos de Santiago, potenciando o seu valor turístico, proporcionando experiências inolvidáveis aos peregrinos, que os convença a ficar mais tempo em Vila Nova de Cerveira e lhes dê a vontade de regressar”.
Já a presidente da Federação Portuguesa dos Caminhos de Santiago destacou o crescimento sustentado do percurso e admitiu que o Caminho Português, tanto o Central como o da Costa, poderá “vir a ultrapassar a afluência de peregrinos do Caminho Francês”, sublinhando tratar-se de um caminho de “referência, de tranquilidade, paisagem e património”.
Ainda assim, deixou um alerta para a necessidade de “criar uma plataforma comum de registo de peregrinos, obrigatória a todas as entidades gestoras dos caminhos certificados, de forma a acompanhá-los durante a passagem pelo território”, considerando-a uma ferramenta “essencial” para “reforçar a segurança”.
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