Cães de proteção e medidas de conservação reduziram impactos sobre rebanhos em 95% em projetos acompanhados pela ACHLI

A utilização de cães de proteção de gado permitiu reduzir em cerca de 95% os prejuízos causados por ataques de lobo em rebanhos acompanhados desde 2014, segundo dados divulgados pela Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico (ACHLI).

Micaela Barbosa
14 Mai. 2026 3 mins
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Grupo Lobo in Pataforma Lobo Ibérico

O resultado foi apresentado pela associação numa sessão em Paredes de Coura dedicada à relação entre energias renováveis e conservação da biodiversidade, no âmbito do projeto BioImpacte+, promovido pela Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN).

De acordo com a ACHLI, desde 2014, foram integrados cerca de 130 cães de proteção de gado em explorações pecuárias abrangidas pelos programas de monitorização e mitigação associados ao Fundo do Lobo.

A associação sublinha que estes animais fazem parte de um conjunto de medidas de gestão do território que inclui também reflorestação, recuperação de habitat e acompanhamento ambiental em áreas associadas a projetos energéticos.

Em trabalhos académicos e projetos de monitorização da espécie em Portugal, investigadores têm identificado os cães de proteção como uma das ferramentas mais eficazes na redução de ataques a rebanhos, quando comparados com abordagens exclusivamente reativas.

Num dos estudos desenvolvidos, no âmbito de projetos de coexistência com o lobo ibérico, investigadores ligados ao setor da conservação referem que “a proteção ativa dos rebanhos é determinante para reduzir conflitos”, destacando a combinação de cães de gado, cercas elétricas e vigilância como o modelo mais consistente no terreno.

Segundo estes especialistas, a eficácia destas medidas é relevante num contexto em que o debate público tende a centrar-se no controlo da população de lobo, enquanto a evidência científica aponta para a importância da prevenção dos ataques.

A ACHLI indica ainda que acompanha, atualmente, 17 processos de pós-avaliação ambiental ligados a projetos de energia eólica e solar no Norte do país, que abrangem 14 alcateias de lobo ibérico.

Desde 2006, a associação refere ter monitorizado 21 alcateias e desenvolvido ações em parceria com universidades como as de Aveiro, Porto e Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), no âmbito de programas de conservação e gestão do habitat.

Entre as medidas implementadas incluem-se também projetos de reforço de presas naturais do lobo, como a reintrodução do corço em zonas do Douro, bem como intervenções de gestão florestal e criação de áreas sem atividade cinegética.

A sessão visou “promover soluções de compatibilização entre produção de energia renovável e conservação da biodiversidade através de medidas de mitigação e monitorização contínua”.

c/ Lusa

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