A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez vai colaborar com a Redes Energéticas Nacionais (REN) na reconversão do uso do solo em faixas de servidão da rede elétrica, através da instalação de um pomar de laranjeiras de Ermelo. A intervenção, a concretizar na aldeia de São Jorge, é apresentada como uma solução que cruza valorização agrícola com gestão do território.
De acordo com a autarquia, o projeto pretende promover “a valorização de um produto endógeno, a promoção da biodiversidade e reforço da resiliência ao risco de incêndio rural”, numa tentativa de dar uso produtivo a áreas tradicionalmente condicionadas pela presença de infraestruturas elétricas.
A iniciativa insere-se num debate mais amplo sobre a utilização destas faixas de servidão, frequentemente associadas a matos e vegetação espontânea, que aumentam a carga combustível e os custos de manutenção. A aposta num pomar surge, assim, como alternativa que poderá reduzir o risco de incêndio, ao mesmo tempo que cria valor económico.
A escolha recai sobre a laranja de Ermelo, um produto com forte enraizamento histórico na região. Introduzida no século XIII pelos monges beneditinos, esta variedade distingue-se por características como casca fina, sabor doce e baixa presença de sementes. As árvores, de grande porte, adaptaram-se às encostas viradas a sul da freguesia, beneficiando de condições microclimáticas específicas, como elevada exposição solar e proteção natural contra ventos frios.
Atualmente, a produção encontra-se dispersa por leiras socalcadas na área envolvente da Barragem de Touvedo, sendo reconhecida internacionalmente: desde 2010, a laranja de Ermelo integra o catálogo do movimento Slow Food, que distingue produtos tradicionais e sustentáveis.
Notícias atuais e relevantes que definem a atualidade e a nossa sociedade.
Espaço de opinião para reflexões e debates que exploram análises e pontos de vista variados.