Natural de Monção, Elisa Alves começou a sua ligação ao folclore acompanhando o pai, fundador do Grupo Folclórico das Lavradeiras de São Pedro de Merufe, e passou a integrar o grupo aos 15 anos. Ao longo de anos de dedicação, passou de secretária da Assembleia Geral e de vogal da direção da Federação do Folclore Português para coordenar o Conselho Técnico Regional e organizar eventos de impacte nacional, até ser eleita vice-presidente da Federação. Em entrevista ao Notícias de Viana, fala sobre os desafios de representar o folclore português a nível nacional, a importância do Alto Minho na identidade cultural do país, a necessidade de preservar a autenticidade sem cristalizar a tradição e a renovação geracional. No distrito de Viana do Castelo, há atualmente nove grupos federados efetivos e sete aderentes, incluindo dois grupos sediados em Lisboa que representam a região. Elisa sublinha que a Federação tem “as portas abertas” para todos os grupos, oferecendo apoio e acompanhamento para que possam crescer, partilhar conhecimento e manter a autenticidade do folclore português.
Notícias de Viana (NdV): A sua eleição como vice-presidente da Federação do Folclore Português representa um reconhecimento nacional de um percurso muito ligado a Monção. O que sentiu no momento da tomada de posse e o que muda, a partir de agora, na sua responsabilidade pessoal com o folclore português?
Elisa Alves (EA): Mais responsabilidade, diria. O meu percurso foi-se fazendo com o reconhecimento do meu trabalho, do folclore do Alto Minho, que é uma referência nacional. Voltar a ter alguém desta região na direção da Federação foi importante, não apenas pelo reconhecimento pessoal, mas também para manter a ligação do Alto Minho à estrutura nacional. Quando assumimos este cargo, leva-se consigo um compromisso elevado, e o grupo que represento, indiretamente, também passa a ter responsabilidades, embora cada grupo tenha a sua autonomia.
(NdV): Vem de um trabalho profundamente enraizado no território, no Grupo Folclórico das Lavradeiras de São Pedro de Merufe. Que desafios antecipa ao passar de uma escala local para uma estrutura nacional como a Federação?
(EA): O maior desafio é olhar para o folclore como um todo, sem o comparar por regiões. Cada grupo representa a identidade do seu território e deve ser valorizado igualmente, seja do Alto Minho, do Baixo Minho ou do Algarve. O papel da Federação é respeitar toda a história e todo o percurso dos grupos, garantindo que todos tenham visibilidade e reconhecimento, independentemente do tamanho ou do destaque mediático que possam ter.
(NdV): O folclore é, muitas vezes, visto como algo estático ou ligado ao passado. Como se preserva a autenticidade sem cristalizar a tradição? Onde está, para si, o equilíbrio entre memória e contemporaneidade?
(EA): O folclore é a preservação da nossa identidade enquanto povo. Um povo sem passado é um povo sem futuro. A essência é manter a fidelidade àquilo que nos foi deixado pelos nossos antepassados. Adaptar-se às novas realidades, como microfones, palcos ou espetáculos, é necessário, desde que não se perca a autenticidade. Representações contemporâneas podem existir, mas devem respeitar a origem, o trajar e o contexto histórico das tradições.
(NdV): O que está, hoje, verdadeiramente em risco de se perder no folclore português e o que já foi recuperado com sucesso?
(EA): O que esteve mais em risco já foi recuperado em grande parte, graças ao
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