O Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) defendeu a necessidade de mecanismos de “discriminação positiva” no financiamento das instituições de ensino superior situadas em territórios de baixa densidade, durante uma reunião com a secretária de Estado do Ensino Superior, Cláudia Sarrico.
O encontro decorreu no âmbito de um ciclo de auscultações às instituições, depois de uma reunião, em Lisboa, com o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, e com o ministro Adjunto e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida. Em cima da mesa, esteve a análise aos “números reduzidos de acesso e ingresso ao ensino superior no presente ano letivo”, segundo o comunicado divulgado pela instituição.
Os dados divulgados este ano pela Direção-Geral do Ensino Superior confirmam uma diminuição do número de candidatos e colocados no Concurso Nacional de Acesso face ao ano anterior, tendência que tem sido particularmente sentida por instituições fora das áreas metropolitanas. É neste contexto que o IPVC enquadra a sua preocupação.
No comunicado, o presidente do IPVC, Carlos Rodrigues, sublinha as especificidades territoriais do distrito de Viana do Castelo, “caracterizado por baixa densidade populacional e vários constrangimentos, entre eles de mobilidade e de acessibilidades”. Estas condições, acrescenta, “dificultam a captação e deslocação de estudantes, não apenas dentro do distrito, mas também a partir dos distritos de Braga e Porto”.
Segundo os dados apresentados pela instituição, “cerca de 50% dos estudantes do IPVC” são oriundos do distrito de Viana do Castelo, sendo os restantes “maioritariamente” provenientes de Braga e Porto. A dependência do recrutamento regional torna a instituição mais sensível às dinâmicas demográficas locais.
A dimensão social é outro fator destacado, onde “aproximadamente 35% dos estudantes são bolseiros”, refletindo, segundo o comunicado, um contexto socioeconómico que “exige respostas ajustadas”.
Perante este cenário, Carlos Rodrigues defendeu um “ajustamento ao contrato-programa que tenha em conta variáveis territoriais, demográficas e sociais”, propondo mecanismos de “discriminação positiva” para instituições localizadas em territórios com características semelhantes às do Alto Minho.
A reunião contou com a presença da presidência do IPVC, dos diretores e subdiretores das seis Escolas Superiores, da administradora da instituição e do administrador dos Serviços de Ação Social, num encontro que a instituição descreve como um momento de trabalho estratégico para “identificação de soluções” e definição de estratégias que possam “mitigar e contrariar a tendência de redução de estudantes no ensino superior”.
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