Resistir: Testemunhos da Igreja de Viana do Castelo em tempos de pandemia

Como tem vivido este tempo de pandemia? Recolhido em casa, dentro do possível e das regras que têm sido criadas pelo Estado português. Tento seguir à risca essas indicações. Contudo, isso não me impede de sair para o que é estritamente necessário, quer como chefe de família, fazendo as compras e outras coisas que são […]

Notícias de Viana
19 Mar. 2021 3 mins
Resistir: Testemunhos da Igreja de Viana do Castelo em tempos de pandemia

Como tem vivido este tempo de pandemia?

Recolhido em casa, dentro do possível e das regras que têm sido criadas pelo Estado português. Tento seguir à risca essas indicações. Contudo, isso não me impede de sair para o que é estritamente necessário, quer como chefe de família, fazendo as compras e outras coisas que são essenciais, quer como artista, participando nos programas de televisão. Aqui, também se cumprem sempre as regras. 

O que tem sentido ao contactar com as comunidades?

Sentimos todos a mesma angústia, não pelo presente que já vai há um ano – o último espetáculo que fiz com público, foi no dia 8 de março de 2020 – como também pela incerteza do futuro, uma vez que a atividade musical e cultural é uma incerteza, dado que as festas religiosas, que são o nosso mercado, estão completamente suspensas. Portanto, essa é uma sensação de impotência, porque não sabemos o que vamos fazer. A respeito disso, continuamos a compor cantigas, criando a esperança de que as coisas, mais tarde ou mais cedo, vão abrir. Em relação às comunidades e, em particular, através das redes sociais, sentimos uma grande vontade de a gente voltar às suas terras para fazer festa e ouvir os nossos trabalhos. Sente-se, mas é impossível ser de outra maneira, se não as redes sociais.

Como tentou fazer face aos desafios lançados pela pandemia?

Não posso dissociar a minha vida pessoal e profissional, porque coloco tudo na música. Como referi, isso tem-me levado a alguns momentos de angústia, porque as pessoas têm compromissos e gosto de os honrar para com aqueles que trabalham connosco. Tenho tentado escrever algumas cantigas e livros de literatura de cordel, que é uma atividade que gosto. Estou a tentar manter-me, a despeito das atividades económicas, no curso de doutoramento na Universidade de Aveiro sobre a temática dos cantares ao desafio e culturais. Tenho, ainda, desenvolvido uma atividade muito engraçada, que é o macramé. Sou um homem com quase 61 anos, mas, com dez, já fazia trabalhos com a minha mãe e com os meus irmãos, que depois eram vendidos em lojas de Viana do Castelo. Portanto, tenho tentado lutar contra a maré, fazendo este tipo de trabalhos interessantes, e tenho tido bom acolhimento. Dá para a gente manter um equilíbrio mental razoável, entreter-se e angariar uma pequena ajuda.

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