Cerca de uma centena de profissionais de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), em particular de Centros Sociais e Paroquiais da Diocese de Viana do Castelo, participaram num encontro que visou a partilha de experiências e de reflexão sobre os desafios do sector social. A principal preocupação é a insustentabilidade, que compromete a qualidade dos serviços prestados.
Para o responsável da Vigararia da Pastoral Social, departamento diocesano organizador, a “forte” participação mostrou “um empenho individual e um compromisso coletivo na transformação social e na promoção do bem-estar das instituições e das comunidades”. “A união entre os diferentes sectores da sociedade é fundamental para criarmos soluções eficazes”, defendeu o Pe. Rui Rodrigues, salientando: “É importante que nos lembremos que o verdadeiro sucesso não se mede apenas pelos resultados visíveis, mas também pelo impacte que geramos na vida das pessoas a quem servimos todos os dias.”
Entre os grandes desafios do sector, destacou a questão económica e a escassez e, por vezes, abandono, de mão-de-obra nestas instituições. “Os salários não são atrativos, comparando com a concorrência”, apontou.
Os profissionais concordam e defendem um “verdadeiro” reconhecimento do sector social e uma aposta na formação contínua, que “levará a uma melhor qualidade de prestação de serviços”. Além destas questões, evidenciam “as lacunas” do enquadramento legal e as dificuldades na rentabilização de recursos. “A burocracia dificulta o andamento dos processos e compromete o desenvolvimento das respostas”, apontaram.
Em relação à comparticipação e ao financiamento, a situação é igualmente insatisfatória porque “não corresponde à realidade” e, quando o consegue, é “inadequada”. “A entidade que nos representa não defende verdadeiramente os nossos interesses. Não há envolvimento nos processos”, lamentaram, criticando “a disparidade nas exigências entre os sectores privado e público”, como por exemplo, nas categorias profissionais. “A ajuda do Estado pode, não só, passar pelo aumento de financiamento, como também flexibilizar regras e normas, e até repensar os impostos”, sugeriram.
Apesar das instituições assegurarem todo o cuidado aos utentes, os profissionais sentem que “há falta de respostas adequadas às realidades”. “O Serviço de Apoio Domiciliário é uma valência importante, mas está mal estruturada. Devia ser mais completa, porque a realidade de hoje é que não temos as ferramentas necessárias para que os nossos idosos possam envelhecer em casa. Aliás, muitas vezes, somos obrigados a arranjar estratégias para arranjar serviços para que eles possam usufruir das valências”, especificaram.
Outro desafio identificado é a resistência à mudança que, de acordo com os profissionais, poderá estar ligada à falta de formação contínua dos trabalhadores. “É preciso apostar no trabalho em rede, promover a capacitação dos recursos humanos, e garantir mais financiamento, para que os serviços prestados sejam mais humanos e diferenciados”, defenderam, apelando às direções para que estejam mais presentes e mais perto das instituições.
No final do evento, o Bispo diocesano, D. João Lavrador, sublinhou que “é preciso tratar todas as instituições com confiança e transparência”. “É necessário equacionar a realidade em conjunto, porque a causa é comum”, começou por referir, reconhecendo que “há situações desajustadas”, mas “continuam a ter as condições necessárias” para cuidar dos utentes. “A lei provoca custos que nem sempre as instituições conseguem suportar”, alertou, elogiando o trabalho de “esforço, generosidade, dedicação e competência”.
D. João Lavrador mostrou-se, ainda, preocupado com quem desvirtua o papel das instituições, exigindo profissionalismo. “é fundamental criar sinergias entre os vários centros sociais e paroquiais”, concluiu.
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