Os valores espirituais – Monsenhor Quinteiro

Pe. José Lima
11 Jun. 2026 3 mins
Padre José Lima

A sociedade de hoje está vinculada, muito visceralmente, aos valores temporais e materiais. Vive-se inscrito numa teia do possuir e do poder; homens e mulheres requerem autoridade  e quando a conseguem dedicam-se muito ao manter benefícios e menos à disponibilidade para com os outros. A sociedade sente-se envelhecida e egoísta muito depressa e descarta rapidamente os que lhe poderiam oferecer mais valias. A vida do universo é gerida pelo muito possuir e obriga a viragens para sustentar o que lhe parece mais importante.

Momentos há em que todo este esforço parece inglório; impõe-se então pensar/meditar um pouco mais.

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Um desses momentos foi o recente funeral de um homem, padre, por quem rezamos antes de entregar o seu corpo à terra. Foi Monsenhor Joaquim Quinteiro que enterramos no passado 28 de maio em Vila Chã, Ponte da Barca, sua terra natal. O funeral foi modesto e cheio de significado, não só pela celebração em si, mas por todas as circunstâncias que o envolveram. Era um santo homem, sempre atento aos outros seus amigos. Por isso a gente que se despedia dele contava tantas histórias que com ele aprendera. Foi muito dedicado a todo o apostolado em inúmeros trabalhos que desenvolveu com os movimentos que assistiu e ajudou a manter, desde o apostolado dos leigos às diversas associações de fiéis, à Cáritas Christi e Associação da Ação Católica Rural. Aliás todo este envolvimento sentia-se bem nas pessoas de todos os feitios que estiveram presentes.

Desde que o conhecemos, Monsenhor Quinteiro era o que chamávamos o “Diretor Espiritual”. Era essencial para a vida de todos. Monsenhor Quinteiro apoiava e compreendia, ele que tinha nascido em 1940 e que foi nosso companheiro a partir dos finais da década de 80 do século passado, no seminário Maior da arquidiocese, que depois veria a ser Faculdade de Teologia em Braga. Antes terá sido secretário da Conferência Episcopal Portuguesa. Notabilizou-se em todo o território nacional pelo seu esmero num trabalho sempre fecundo, aberto ao futuro. Tendo sido pároco e assistente de vários movimentos arquidiocesanos, abriu numerosos caminhos para a Igreja em Portugal.

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Um sujeito discreto e bondoso, sorria sempre que dizia alguma coisa e era afável para com todos, ajudando sabiamente a fazer o bem, orientando singelamente. Foi isto que o fez passar por inúmeros trabalhos na arquidiocese, sem fazer estalar as instituições. Dele falam todos, bispos, sacerdotes e sobretudo os leigos, que muito receberam daquilo que honestamente transmitia e dava testemunho. Nunca foi mandão, mas conselheiro providente e afável.

Vão escasseando na terra as pessoas que orientam para o Espiritual, o que Monsenhor Quinteiro fazia com dedicação e entusiasmo. Dedicou-se inteiramente a Deus, no serviço dos irmãos, oferecendo os seus últimos serviços na Casa Sacerdotal da Arquidiocese, onde se entregou a Deus e Lhe afeiçoou muitos, que dele tratavam e o admiravam no seu sofrimento final.

Importa não perder os valores do Espírito e ser altruístas no encaminhamento de tantos.

Muito obrigado a Monsenhor Quinteiro e sigamos-lhe os passos, esperando no Senhor do Universo!

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