O Turismo do Porto e Norte quer manter, ou até superar, o crescimento histórico registado em 2025, mas admite que o contexto internacional já está a ter impacto na procura, com cancelamentos e redução de ligações aéreas. A mensagem foi deixada por Luís Pedro Martins, na tomada de posse dos órgãos sociais da Associação de Turismo do Porto e Norte de Portugal (ATPNP), numa sessão que decorreu no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, perante representantes do setor e autarcas da região.
Depois de um ano em que o Norte se destacou como um dos principais motores do turismo nacional, o responsável pretende “consolidar esse crescimento num cenário mais incerto”. “Nada de relevante teria acontecido sem estratégia e muito trabalho”, afirmou, sublinhando o papel das entidades públicas, empresas e municípios.
Em 2025, a região foi responsável por “cerca de 90% do crescimento líquido da procura externa em Portugal” e registou “um aumento nas dormidas internacionais muito acima da média nacional”.
O crescimento foi impulsionado por mercados como os Estados Unidos, Coreia do Sul e China, mas também pelo reforço de destinos menos tradicionais, com “68% da expansão a vir de mercados fora do top 10”.
Apesar dos números, o discurso incluiu avisos. A instabilidade internacional, marcada por conflitos e incerteza económica, já está a refletir-se no setor, com impacto nas reservas e na operação de algumas rotas aéreas. Um sinal que, segundo o presidente da ATPNP, exige atenção por parte do Governo.
Entre as prioridades para o novo mandato, destacam-se: manter o crescimento dos principais subdestinos — Douro, Minho, Porto e Trás-os-Montes —, reforçar o papel do turismo na coesão territorial e melhorar a articulação entre os vários agentes do setor.
Mas foi na questão das infraestruturas que surgiu o alerta mais direto. O Aeroporto Francisco Sá Carneiro volta a estar no centro do debate, com Luís Pedro Martins a defender decisões urgentes sobre a sua expansão, considerada essencial para sustentar o ritmo de crescimento da região. “O papel do turismo enquanto motor económico e de coesão social tem sido pouco valorizado”, afirmou, apelando a uma mudança de abordagem ao nível das políticas públicas.
Os novos órgãos sociais da ATPNP, eleitos com 100% dos votos, incluem representantes de autarquias, empresas e instituições do setor, num mandato que agora arranca sob o desafio de manter o Norte na linha da frente do turismo nacional, num contexto menos favorável do que o que marcou o último ano.
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