A Assembleia Municipal de Melgaço aprovou, por unanimidade, uma moção a exigir uma “intervenção urgente” na resposta dos cuidados de saúde no concelho, denunciando uma situação de “abandono” num território situado a cerca de 100 quilómetros do hospital distrital de Viana do Castelo.
No documento, os eleitos locais alertam para as dificuldades crescentes no acesso a consultas de medicina geral e familiar, apontando atrasos que podem ultrapassar os seis meses e a ausência de garantias de atendimento no próprio centro de saúde.
A situação leva, segundo a moção, muitos utentes a deslocarem-se de madrugada sem qualquer certeza de conseguirem consulta.
Os deputados municipais criticam ainda a escassez de vagas na consulta aberta, descrevendo uma “extrema dificuldade” no acesso a cuidados básicos e à obtenção de receitas médicas ou realização de exames.
A distância ao hospital distrital e o envelhecimento da população são apontados como fatores que agravam o problema.
Entre as exigências dirigidas ao Ministério da Saúde e à Unidade Local de Saúde do Alto Minho está a marcação atempada de consultas, o alargamento do horário da consulta aberta até à meia-noite e a criação de respostas locais para especialidades médicas e meios complementares de diagnóstico.
O presidente da Câmara de Melgaço reconhece a pressão sobre o sistema de saúde no concelho, sublinhando o envelhecimento da população e as dificuldades de acesso, mas rejeita uma degradação recente dos serviços.
O autarca afirma estar a trabalhar com a ULSAM para a eventual criação de uma Unidade de Saúde Familiar no concelho.
Enquanto isso, a Assembleia Municipal mantém o tom de alerta e pede respostas rápidas, considerando que a atual situação compromete o acesso básico à saúde e agrava desigualdades territoriais no Alto Minho.
c/ Lusa
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