Despedimento coletivo na ENERCON. Encerramento da unidade de Lanheses confirmado para abril 

O processo de despedimento coletivo na unidade de Lanheses da Enercon culminará com o encerramento da Fábrica de Geradores e Mecatrónica no final de abril de 2026, segundo informação transmitida ao município.

Micaela Barbosa
27 Fev. 2026 4 mins

O presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, garante que está a acompanhar de perto a situação. “Estou a acompanhar de forma próxima este processo, mantendo contacto direto com os responsáveis da empresa”, afirma o autarca, na sequência das notícias tornadas públicas sobre o encerramento da unidade situada no Parque Empresarial de Lanheses.

De acordo com a informação avançada ao município, a empresa está a proceder a um ajustamento da sua estrutura produtiva face às atuais exigências do mercado. “A Enercon está a adaptar a sua produção a modelos mais modernos, mais potentes e de maior rendimento, das plataformas EP3 e EP”, refere Luís Nobre, explicando que a unidade de Lanheses estava vocacionada para a produção de geradores destinados à plataforma EP2, que deixou de integrar o portfolio da empresa, “o que motiva o encerramento das atividades desta fábrica no final de abril de 2026”.

Relativamente aos trabalhadores afetados, o autarca adianta que “foi garantido que, no que diz respeito aos 68 colaboradores, estão a ser desenvolvidos todos os esforços para explorar oportunidades de recolocação interna”, assegurando, ainda, que “serão cumpridas todas as obrigações legais associadas ao encerramento da unidade”.

Luís Nobre sublinha, também, que o encerramento “não se aplica ao Centro de Excelência de Pás, em Viana do Castelo, que continua a desempenhar um papel essencial na rede global de produção da Enercon”, acrescentando que esta unidade “expandiu recentemente a sua capacidade e que conta, atualmente, com cerca de 750 colaboradores”.

Do lado sindical, o SIMA – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Afins já manifestou “preocupação” com o processo, defendendo a manutenção dos postos de trabalho e alertando para o impacte que o encerramento da unidade poderá ter na estrutura da Enercon, na região.

O episódio insere-se num contexto mais amplo de dificuldades no sector industrial local, marcado por encerramentos e redução de produção.

Já a empresa esclareceu que a decisão decorre da alteração da sua linha de produtos, sublinhando que deixou de existir procura para os componentes fabricados na unidade de Lanheses e que não estão previstas alternativas de produção.

A Enercon garante que os 68 trabalhadores serão abrangidos por “rescisões por motivos operacionais” e assegura que cumprirá integralmente todas as obrigações legais associadas ao encerramento.

O diretor de operações da empresa, Heiko Juritz, lamentou “não poder continuar a produção em Lanheses”, destacando que a unidade “deu um contributo importante para o nosso produto, para a concretização da transição energética e, em particular, para a expansão da energia eólica em Portugal”. Ainda assim, sublinhou ser “essencial organizar a produção de forma eficaz para permanecermos competitivos”, justificando a decisão estratégica de fabricar os geradores da nova geração no Centro de Excelência.

Por sua vez, o Bloco de Esquerda manifestou “profunda preocupação” com o encerramento da unidade de Lanheses e o despedimento coletivo de 68 trabalhadores. Em comunicado, o partido recorda que a ENERCON GmbH – Sucursal em Portugal integra um dos principais grupos internacionais do setor da energia eólica e que instalou, em 2008, um complexo industrial em Viana do Castelo, com unidades na Praia Norte e em Lanheses, responsável pela produção de geradores, torres de betão, pás de rotor e sistemas de mecatrónica.

O partido sublinha que o polo industrial no Alto Minho resultou de um investimento significativo e criou, ao longo dos anos, numerosos postos de trabalho diretos e indiretos, alertando que esta decisão terá impacto social e económico na região. O Bloco de Esquerda manifesta solidariedade com os trabalhadores e considera alarmante a sucessão de despedimentos coletivos e encerramentos de empresas no Alto Minho nos últimos anos.

(notícia atualizada a 02-03-2026)

Tags Economia

Em Destaque

Notícias atuais e relevantes que definem a atualidade e a nossa sociedade.

Opinião

Espaço de opinião para reflexões e debates que exploram análises e pontos de vista variados.

Explore outras categorias