Cruz na Zambujeira

Todos ouviram falar sobejamente na Zambujeira do Mar. É, fora do tempo de pandemia, a terra para onde muita gente nova foge, à procura de praia e mar, mas sobretudo da música do festival que aí se realizava anualmente antes da pandemia, e cuja fama percorreu o país e além- fronteiras.

Notícias de Viana
13 Jan. 2022 4 mins
Cruz na Zambujeira

Levado pela curiosidade, numas curtas férias de Páscoa passadas em Ferragudo na companhia de três colegas, porque um deles tem uma irmã religiosa no convento de clausura no Patacão, juntámos o útil ao agradável: levámos o colega a ver a irmã de sangue, bebemos um pouco desta alegria por trás dos muros dum convento, descansámos, rezámos, construímos presbitério e muito mais, porque vivi essas experiências vários anos, com dois colegas fixos e um ou outro variável, e o meu velho Mercedes cumpriu estes atos de caridade sacerdotal.

Pois hoje eu bem merecia um descanso, porque só depois das cinco da tarde acabei as minhas atividades dominicais e a essa hora, sempre que posso, não perco o 70×7, na RTP2. Desta vez, era sobre a peregrinação dos símbolos da JMJ (Jornada Mundial da Juventude) por terras de Beja e de Évora.

Em Beja deu-me um “baque” o coração e lembrei que foi ali que foram parar, em primeira peregrinação de regresso à sua Diocese, os restos mortais de D Anacleto. Bateu-me a saudade e rezei por ele.

Depois, foi ver – em terras que julgamos descristianizadas – a juventude a pulsar de alegria e entusiamo. Foi o escutar o “falar“ alentejano prenhe de Deus e de mensagem, de gente que nos faz pensar e nos dá coragem e enche de alegria. Foi lançar os olhos e ver uma cruz plantada na praia da Zambujeira, como que a dizer: temos que levar Jesus aos festivais!

Como!?

Eu, sendo padre de Bico (Arciprestado de Paredes de Coura), não quero meter o bico naquilo que o meu amigo Pe. Meira faz tão bem, à frente do Comité Organizador Diocesano e da Pastoral Juvenil!

Mas ver o que os outros fazem dá-nos luz, entusiamo, e os colegas mais novos que vão aos festivais e gostam de rock, vão descobrir como levar o “JC”, como alguns dizem, aos festivais. A juventude de Beja descobriu: fez uma via-sacra na Zambujeira e plantou o símbolo grande – a cruz da JMJ – na Zambujeira do Mar. Gostei da imagem e da ideia.

Depois foi reparar no grande Alqueva, ver a cruz, e ver os jovens de Beja a entregar os símbolos aos de Évora.

Ver o D. Américo na praia – ele, Bispo jovem a lembrar João e Tiago a serem chamados por Jesus, nas margens de Tiberíade.

Vi D. Francisco Senra, Arcebispo de Évora, que conheci ainda jovem padre – vejam bem – na Jordânia! Estávamos lá um grupo de padres em passeio, oferecido por uma agência de viagens, e o Pe. Senra, da Diocese de Évora, estava, no início da viagem, nos Estados Unidos, a orientar um Cursilho de Cristandade como Diretor Espiritual. Em voo, via Roma, chegou à Jordânia, e foram oito dias de camaradagem, em que ele animava o grupo com os seus cantares alentejanos – tinha uma voz preciosa, ao tempo.

Depois já o reencontrei em terras de Barcelos, como Bispo Auxiliar de Braga, a presidir às procissões de Passos, em que eu tinha a missão de ser o orador.

Agora, vê-lo em imagem, a falar aos seus jovens nas margens do Alqueva, ver o entusiasmo da gente nova de Évora ao lado do seu Arcebispo, ouvir dizer que os símbolos passaram por escolas, hospitais, prisões, praias, praças, Paróquias, e não sei que mais, e arrastam tudo e todos, deu-me vontade de interromper o descanso em tarde de Domingo e partilhar estas linhas.

É uma semente de um padre velho para tanta gente nova que há por aí, e entusiasmada, penso eu.

Que cresça o entusiasmo, porque os símbolos vão chegar a Viana, e não só!

Fotografia: Agência Ecclesia

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