No Alto Minho, muitos agricultores estão perto da reforma e não há quem lhes suceda. A direção da Cooperativa Agrícola de Viana do Castelo e Caminha, que assumiu funções há cerca de dois anos, traça um retrato preocupante do sector.
“São os mais velhos que continuam a trabalhar e os mais novos abandonam a atividade, porque não é rentável”, afirma a direção da cooperativa, alertando: “Estamos a caminhar para uma situação em que muitas terras vão ficar abandonadas.”
A realidade local acompanha uma tendência nacional. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, mais de metade dos agricultores portugueses tem mais de 65 anos, enquanto apenas uma pequena percentagem tem menos de 40. A renovação geracional continua a ser um dos maiores desafios do sector agrícola.
Um dos principais obstáculos ao desenvolvimento da agricultura na região alto-minhota é a dimensão das explorações. A fragmentação das propriedades, típica da região Entre-Douro-e-Minho, dificulta a modernização e o uso de maquinaria. “Temos um problema muito grande, que é a estrutura fundiária. As propriedades estão muito retalhadas”, explica a direção.
Num sector cada vez mais dependente de tecnologia e mecanização, essa realidade limita a competitividade. “Hoje, a agricultura funciona numa lógica de economia de escala: menos mão-de-obra, mais máquinas e mais automatização. Mas, muitos terrenos aqui nem sequer permitem o acesso dessas máquinas”, apontam os responsáveis.
De acordo com o último Recenseamento Agrícola do Instituto Nacional de Estatística, a dimensão média das explorações agrícolas, em Portugal, ronda os 14 hectares, mas, nas regiões do norte, a média é muito inferior, refletindo a forte presença de pequenas explorações familiares.
A competitividade dos agricultores do norte é, também, afetada por fatores climáticos. Em várias culturas, os produtores do sul do país conseguem colocar os produtos no mercado mais cedo, o que influencia diretamente os preços. “Às vezes, basta uma diferença de oito dias para mudar completamente o preço de um produto”, explicam.
Quando os produtos chegam mais cedo ao mercado, o valor tende a ser mais elevado. “Há semanas em que um produtor vende tomate a 70 cêntimos e, na semana seguinte, está a sete ou oito cêntimos”, exemplificam.
Além disso, acrescentam, a definição dos preços depende, cada vez mais, da distribuição. “Quem define o preço é o mercado e a grande distribuição”, contam.
Os responsáveis da cooperativa referem, também, que as alterações climáticas e os fenómenos meteorológicos extremos são uma preocupação crescente para o sector, mas sublinham que o problema não pode ser analisado isoladamente da realidade do território. “Não sei se esses fenómenos é que têm impacte na agricultura, ou se é a agricultura que tem impacte neles”, referem, apontando o abandono agrícola como um dos fatores que agrava os riscos ambientais.
Segundo explicam, a diminuição da atividade agrícola e do pastoreio levou ao crescimento da vegetação espontânea nos montes, aumentando a quantidade de combustível disponível para incêndios. “Antigamente, havia animais a pastar e as terras eram limpas. Hoje, há muito abandono e a floresta encostou às casas”, apontam.
Para a cooperativa, os agricultores continuam a desempenhar um papel fundamental na gestão da paisagem e na prevenção de incêndios. “O agricultor sempre foi quem cuidou da terra”, defendem.
A Cooperativa de Viana do Castelo e Caminha conta, atualmente, com cerca d
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