Alunos do Alto Minho aguardam notas dos exames nacionais após atraso na divulgação dos resultados

Milhares de alunos do ensino secundário em todo o país aguardam, esta sexta-feira, a divulgação das classificações dos exames nacionais, no final de um processo de correção marcado por atrasos, problemas técnicos e falta de professores classificadores. Os constrangimentos levaram ao adiamento da afixação das pautas, inicialmente prevista para 14 de julho.

Notícias de Viana
17 Jul. 2026 4 mins
O Colégio do Minho pelos olhos da gratidão

Na véspera da divulgação, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu que os resultados poderiam não ser publicados durante esta sexta-feira, uma vez que ainda faltava classificar cerca de 0,5% das respostas. Contudo, esta manhã mostrou-se confiante de que as classificações seriam conhecidas ao longo da tarde. “O Júri Nacional de Exames tem todas as classificações prontas para distribuir às escolas”, afirmou, acrescentando não antecipar “razão nenhuma para que hoje não sejam publicadas todas as notas de todos os exames”.

O dia da divulgação coincide também com um debate de urgência no Parlamento sobre os exames nacionais, requerido pelo Partido Comunista Português, no qual participa o ministro da Educação.

A realidade local

No Alto Minho, a realidade é semelhante à vivida no resto do país. No Colégio do Minho, alunos, encarregados de educação e professores aguardam a divulgação das classificações. Segundo o diretor da instituição, Ricardo Sousa, apesar das mudanças introduzidas este ano no modelo de realização dos exames, o processo decorreu sem incidentes no colégio.  

“A nível do colégio, este ano tivemos uma mudança na forma de realização dos exames, com novos modelos e novos sistemas, mas, apesar do nervosismo inicial por ser a primeira vez, correu tudo dentro da normalidade”, apesar disso, a escola continua sem acesso aos resultados: “até ao momento, o colégio ainda não recebeu os resultados dos exames e continua a aguardar que o Ministério da Educação os disponibilize através da plataforma, sem qualquer informação adicional sobre quando isso irá acontecer”. 

Ricardo Sousa explicou ainda que a equipa do colégio permanece preparada para comunicar as classificações assim que estas forem disponibilizadas. 

“Os resultados podem ser disponibilizados a qualquer hora através da plataforma informática do Ministério. Por isso, a equipa do Colégio do Minho mantém-se disponível para aceder aos resultados assim que forem publicados e comunicá-los de imediato, independente da hora, aos alunos e encarregados de educação”.  

O diretor admite, contudo, que um novo atraso poderá ter consequências na organização das escolas e no percurso dos alunos. “No pior dos cenários, caso os resultados não sejam publicados entretanto, poderá ser necessário autorizar todos os alunos a realizar a segunda fase dos exames ou adiar o calendário por mais alguns dias”. Situação que, segundo o diretor, complicaria a organização das escolas devido aos restantes trabalhos, às férias e ao impacto no planeamento do próximo ano letivo”.  

O que motivou estes atrasos?

Este foi o primeiro ano em que a classificação dos exames decorreu em formato digital. Apesar de mais de 300 mil provas terem sido realizadas em papel, o processo obrigou à digitalização de milhões de folhas de resposta antes da sua distribuição pelos professores classificadores. 

Os primeiros problemas surgiram com o exame de Português, o primeiro da época de exames, que demorou a chegar aos classificadores devido a falhas técnicas, segundo o Júri Nacional de Exames (JNE). Seguiram-se relatos de folhas mal digitalizadas, respostas incompletas por ausência de folhas de continuação e dificuldades na plataforma de classificação. 

No final de junho, o ministro da Educação garantiu que os constrangimentos estavam a ser resolvidos e que o calendário seria cumprido. Ainda assim, o Governo adiou a divulgação dos resultados de 14 para 17 de julho e prolongou em 24 horas o prazo para a classificação das provas. Apesar de o Ministério da Educação, Ciência e Inovação assegurar que este prolongamento não comprometeria a afixação das pautas, na quinta-feira ainda havia exames por classificar, situação que Fernando Alexandre atribuiu à dificuldade em encontrar classificadores para algumas disciplinas. 

Na fase final do processo, vários docentes voltaram a receber respostas para corrigir na sequência de falhas detetadas durante a verificação e validação do sistema. Entre folhas de continuação recuperadas e novas digitalizações, alguns professores tiveram mesmo de reclassificar provas já avaliadas, levando o ministro a pedir desculpa aos docentes pelos constrangimentos. 

Depois de divulgadas as classificações, os alunos que pretendam melhorar a nota poderão inscrever-se na segunda fase dos exames, entre 20 e 24 de julho, ou pedir a reapreciação da prova, dispondo de dois dias úteis para o fazer após receberem a cópia do exame. Professores e diretores escolares admitem que o número de pedidos de reapreciação possa aumentar este ano, tendo em conta os problemas registados ao longo de todo o processo. 

Tags Política

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