VISITA ÀS CAPELINHAS

Carlos Costa
17 Jul. 2026 4 mins
Carlos Costa

Foi com grande satisfação que recebi as últimas notícias relativas a programas de investimento por parte do Ministério da Cultura, Desporto e Juventude, para a região do Alto Minho.

Foi com maior satisfação ainda que constatei a recente visita da “minha” Ministra, Margarida Balseiro Lopes, à nossa região. Depois do financiamento zero realizado na recuperação do património da região, com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), serão agora canalizados fundos que rondam – somados – os 9 milhões de euros e que incluirão cinco imóveis classificados da região.

Depois de uma primeira fase, formalizada há precisamente um ano, que incluiu imóveis em Melgaço (Igreja do Divino Salvador de Paderne) e Ponte da Barca (Igreja Matriz de Ponte da Barca), foi agora apresentada uma segunda fase, que incluirá um novo lote de imóveis para recuperação. São eles a Igreja do Mosteiro de São João de Longos Vales, em Monção, a Igreja Paroquial de Refoios do Lima, em Ponte de Lima e a Igreja de Sanfins de Friestas, em Valença.

O investimento surge no âmbito dos protocolos celebrados entre o Património Cultural I.P., a Estamo I.P. e cada uma das autarquias e, segundo o Ministério, trata-se de “um novo modelo de gestão partilhada para a reabilitação e conservação de património cultural”, que tem por objetivo o “aumento da celeridade de resposta na conservação e recuperação de imóveis classificados”.

Um investimento louvável, importantíssimo para a região e para a preservação do património alto-minhoto. A minha expectativa está já em perceber que monumentos incluirão as próximas fases destes protocolos. Não me desiluda, Senhora Ministra!

E foi precisamente no âmbito de um desses protocolos que Margarida Bolseiro Lopes visitou a nossa região, presidindo à inauguração das obras de conservação e restauro da Igreja Matriz de Ponte da Barca, um dos nossos mais importantes monumentos, classificado, desde 1910, como Monumento Nacional.

De referir que todos estes protocolos dizem respeito a imóveis que são propriedade do Estado Central. Poderia dizer que o Estado não faz mais do que a sua obrigação, ao zelar pelo património que lhe pertence, tal como cada um de nós zela pela sua casa e pelos seus bens. Mas não. Prefiro elogiar o investimento, pois, como sabemos, poderia perfeitamente ter sido canalizado para outras regiões, tal como foi feito no PRR.

Mas, para além do investimento em si, são importantes estas visitas. A presença da Ministra da Cultura na nossa região permite o enfoque e a promoção do património do Alto Minho. Gostaria, obviamente, de ver mais vezes a “minha” Ministra por aqui. Era sinal de investimento e cuidado pelo que é nosso. E gostaria de ver a Ministra, porque não, também no meu concelho, em Viana do Castelo. Há muito que falar, também por aqui. Muito para investir. Muito património para recuperar.

Também no concelho de Viana do Castelo existem vários monumentos que são propriedade ou afetos ao Estado Central e que necessitam de investimento (ou até de intervenções urgentes de conservação): as Ruínas da Cidade Velha de Santa Luzia, a Igreja de São Domingos ou a Igreja de São Cláudio de Nogueira, apenas referindo alguns.

Se bem me recordo, a última visita oficial de um Ministro da Cultura a Viana do Castelo, foi já no longínquo ano de 2020, quando Graça Fonseca tutelava a pasta da Cultura do governo de António Costa. Uma coisa estou certo: com este padrão, diria quase corporativo, quem perde é a Cultura e o nosso Património.

Fica, pois, o convite: quando regressar a Ponte de Lima ou Monção – para inaugurar os investimentos agora anunciados – aproveite a viagem e visite também Viana do Castelo! Os Vianenses recebem bem e acredito que goste bastante da nossa cidade! E tal como dizemos por aqui: quem gosta, vem!

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