O Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) recebeu a segunda edição do EPIC Hackathon, uma iniciativa que juntou “mais de 60 participantes” de seis instituições de ensino superior com um objetivo de “repensar a forma como se ensina e se aprende em sala de aula”.
Durante dois dias, docentes, estudantes e técnicos foram desafiados a trabalhar em equipas multidisciplinares para desenvolver soluções inovadoras que promovam uma maior participação ativa dos alunos, um dos problemas mais apontados ao ensino superior atual.
Para Ana Teresa Oliveira, pró-presidente da instituição para a Inovação Pedagógica, o evento reflete “o papel ativo de todos os parceiros na promoção de práticas inovadoras de ensino”, sublinhando que a cocriação de soluções para desafios reais “reforça uma abordagem pedagógica mais colaborativa, aplicada e alinhada com as exigências do futuro”.
O evento, integrado no consórcio EPIC – Excelência Pedagógica e Inovação em Cocriação e financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), funcionou como um laboratório intensivo de ideias. No final, as propostas foram avaliadas por um júri com base em critérios como criatividade, relevância, impacto e viabilidade.
Entre seis equipas a concurso, foi o Grupo 5 que conquistou a melhor classificação. A proposta vencedora assenta na criação de uma sala de aula dinâmica, aliada a uma metodologia de aprendizagem rotativa.
Cláudia Rodrigues, docente do Instituto Politécnico do Cávado e Ave e elemento da equipa vencedora, explicou que o modelo prevê que os estudantes “passem por várias estações”, onde primeiro constroem uma solução, depois analisam criticamente o trabalho de outros grupos e, numa fase seguinte, recorrem à inteligência artificial para comparar resultados. “O objetivo é desenvolver o espírito crítico e justificar a escolha da melhor solução”, afirmou, acrescentando que esta abordagem permite “adquirir conhecimentos de uma forma mais dinâmica”.
A inspiração surge, em parte, de modelos já implementados noutros contextos. “Os países nórdicos têm muito esta política de espaços mais abertos, mais propícios à partilha de ideias”, referiu a docente, destacando também experiências em curso em instituições portuguesas, como a Universidade do Minho.
Apesar do entusiasmo, persistem desafios na transformação do ensino superior. Um dos participantes no evento admitiu que “os métodos tradicionais estão a ser postos em causa”, apontando a desmotivação e o afastamento dos estudantes como problemas recorrentes. “Se queremos alunos mais participativos, vamos ter de ter mais atrativos”, defendeu.
Também a ligação ao mercado de trabalho continua a ser uma preocupação. Segundo outro interveniente, muitos estudantes chegam ao fim do percurso académico com dificuldades em aplicar conhecimentos. “Aprendem de forma muito teórica e depois não conseguem aplicar”, lamentou.
Para Luís Graça, diretor da Escola Superior de Saúde do IPVC, a qualidade dos projetos apresentados dificultou a decisão do júri. Ainda assim, destacou que todas as equipas contribuíram com soluções relevantes. “Mesmo aqueles que não são vencedores, são vencedores pelas soluções que a educação pode vir a utilizar”, salientou.
Do lado da equipa vencedora, a reação foi de reconhecimento coletivo. “Mais do que a competição, estas iniciativas são importantes para a partilha de conhecimento e de contactos”, sublinharam, considerando o hackathon “um momento inspirador”.
Notícias atuais e relevantes que definem a atualidade e a nossa sociedade.
Espaço de opinião para reflexões e debates que exploram análises e pontos de vista variados.