Coca de Monção em vias de ser Património Imaterial. Tradição secular entra em consulta pública

A encenação do combate entre São Jorge e a Coca, um dos momentos mais emblemáticos das celebrações do Corpo de Deus em Monção, entrou em fase de consulta pública para classificação como Património Cultural Imaterial. O processo, agora iniciado, pode garantir proteção formal a uma tradição que há séculos mobiliza a comunidade e simboliza a luta entre o bem e o mal.

Notícias de Viana
26 Mar. 2026 3 mins
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Município de Monção

A inscrição do Combate da Coca de Monção no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial está, a partir desta quinta-feira, em consulta pública por um período de 30 dias, na sequência de uma deliberação do instituto responsável pelo património cultural. O anúncio que formaliza a abertura do procedimento foi publicado em Diário da República.

A classificação visa “reconhecer uma manifestação cultural profundamente enraizada no Alto Minho, integrada nas festividades do Corpo de Deus, e que combina elementos religiosos com uma forte componente popular e simbólica”.

No centro da celebração está o confronto entre São Jorge e a Coca, figura mitológica associada a um dragão,  que corporiza, segundo a tradição, “a luta entre o bem e o mal”. O momento mais aguardado da festa recria esse embate num cenário que mistura teatralidade e participação comunitária.

De acordo com a descrição divulgada pela autarquia, São Jorge é “um cavaleiro da terra montado num cavalo branco”, enquanto a Coca surge como “uma estrutura empurrada por cerca de meia dúzia de funcionários da autarquia”. A figura do dragão, acrescenta o município, é “pintada de verde e com fumo a sair pelas orelhas”, tendo “a cabeça móvel e goelas bem abertas, fazendo uma figura que por vezes assusta o cavalo e torna a vida difícil ao cavaleiro”.

A vitória do santo obedece a um ritual específico. Segundo a tradição local citada pela Câmara, “S. Jorge vence se cortar uma orelha e introduzir a lança, por três vezes, nas goelas da Coca”, um gesto carregado de significado simbólico para a comunidade.

Mais do que um espetáculo, o desfecho do combate é interpretado como um augúrio coletivo. A população “torce sempre pela vitória de São Jorge, por representar, reza a tradição, boas sementeiras e boas colheitas”, nomeadamente na produção de vinho Alvarinho, elemento central da economia local.

A autarquia tem sublinhado a importância desta tradição enquanto “expressão de identidade” e “continuidade cultural”, destacando o envolvimento direto da população e a preservação de práticas artesanais associadas à construção e encenação da Coca.

A eventual classificação como Património Imaterial permitirá não só “reforçar a salvaguarda desta manifestação”, como também “valorizar a sua projeção cultural e turística”. 

Se vier a ser confirmada, a inscrição representará o reconhecimento formal de uma tradição que, ano após ano, transforma as ruas de Monção num palco onde história, fé e imaginação continuam a encontrar-se.

c/ Lusa

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