Viana do Castelo foi o distrito do país onde mais aumentaram, em termos percentuais, os pedidos de apoio à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) em 2025. Segundo o relatório Estatísticas APAV | Totais Nacionais 2025, divulgado a propósito do Dia Europeu da Vítima de Crime, a 22 de fevereiro, o distrito registou uma subida de 43% face ao ano anterior.
No total, a APAV apoiou 153 vítimas oriundas do distrito de Viana do Castelo ao longo do último ano.
A nível nacional, a associação apoiou 18.549 vítimas, um aumento de 13,1% face a 2024, e registou 111.854 atendimentos, mais 11,5% do que no ano anterior. Foram contabilizados 35.341 crimes e outras formas de violência.
À semelhança de anos anteriores, a violência doméstica continua a ser o crime mais predominante, representando 26.124 situações (73,9% do total). Seguem-se os crimes de partilha online de conteúdo de abuso sexual de menores (3%) e as ofensas à integridade física (2,5%).
O perfil geral da vítima apoiada pela APAV é maioritariamente feminino (75,5%), com uma média de idades de 37 anos. Em 57% dos casos houve queixa ou denúncia às autoridades judiciais ou policiais.
Entre 2020 e 2025, o número de vítimas apoiadas aumentou 41,7%, refletindo uma tendência de crescimento contínuo na procura de apoio.
Segundo a APAV, o aumento registado em Viana do Castelo está relacionado com “a eficácia” das Equipas Móveis e dos Polos de Atendimento em Itinerância, que permitiram “reforçar o contacto direto em concelhos onde anteriormente havia menor visibilidade estatística”.
A associação tem vindo a alargar a sua cobertura territorial, apoiando, em 2025, vítimas provenientes de 286 dos 308 municípios portugueses (92,9% do território nacional).
Em comunicado, a Comissão Coordenadora Distrital de Viana do Castelo do Bloco de Esquerda (BE) manifestou “extrema preocupação” com o aumento “contínuo e expressivo” dos pedidos de apoio, considerando que os números revelam “o agravamento de fenómenos de violência sobre as mulheres em Portugal e a insuficiência das respostas públicas”.
O partido sublinha que o crime de violência doméstica continua a ser o mais praticado em Portugal e defende que o aumento dos pedidos de apoio “não pode ser visto apenas como crescimento estatístico”, mas como reflexo de vidas marcadas pela violência.
Para o BE, cabe às autarquias assumir um papel “mais ativo” na promoção da igualdade e no combate à violência, nomeadamente através da adoção de Planos Municipais para a Igualdade, da criação de gabinetes municipais de apoio às vítimas, da adesão à Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica e da disponibilização de habitação municipal para vítimas que saem de casas-abrigo.
A estrutura distrital defende ainda o reforço das políticas públicas de apoio à autonomização das vítimas, com medidas ao nível do emprego e da habitação, considerando “necessário aprofundar as medidas para que as mulheres estejam seguras e garantir que o Estado não falha na proteção das mulheres vítimas de violência”.
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