A Câmara Municipal de Valença abriu, recentemente, um concurso público para a realização de obras de conservação da igreja de Sanfins de Friestas, em Valença, classificada como Monumento Nacional desde 1910. Em Diário da República, o concurso tem um preço base de 235 mil euros, estando previsto um prazo de execução de um ano.
Segundo o portal governamental do Património Cultural, a igreja de Sanfins de Friestas é descrita como, “um dos nossos monumentos românicos mais importantes”, destacando-se, ainda, por evidenciar “de forma mais clara, a longa duração da influência galega (em particular do estaleiro da Sé de Tui)”.
Apesar de o imóvel pertencer à Câmara Municipal de Valença, o padre Ricardo Esteves, de São Félix de Sanfins, sustenta que “a Câmara tem uma abertura grande com a Igreja e deixa que as coisas funcionem dentro daquilo que era a realidade do mosteiro”.
Para o sacerdote, a intervenção representa uma oportunidade para recuperar e valorizar a história do local, uma vez que o “mosteiro, por si só, já reflete muito do que é a tradição daquele povo de Sanfins”.
O pároco destaca, ainda, a importância histórica do antigo complexo monástico, ligado à Ordem Beneditina, considerando que, mesmo perante o atual estado de conservação, “quem visitar o espaço (…) consegue perceber que há ali uma matemática muito precisa”.
Essa organização, explica, está presente não apenas na arquitetura, mas também na forma como o antigo mosteiro aproveitava os recursos naturais da região. “Não falo só da igreja, mas falo de todos os claustros e do próprio lapidar das pedras que lá tem. Aquilo tem uma matemática muito, muito rigorosa, muito científica”, sustenta o padre.
Desta forma, a intervenção poderá, também, reforçar a ligação da comunidade ao local, permitindo-lhe “voltar ao passado, até porque a comunidade sempre esteve ali”.
O espaço mantém, também, capacidade para atrair visitantes, nomeadamente espanhóis, e as obras poderão constituir “uma mais-valia, porque aquilo tem muitos espanhóis, mesmo no estado decadente em que ele se encontra”, afirma o sacerdote, que considera que a recuperação poderá contribuir para reforçar essa procura.
“Se conseguíssemos recuperar aquilo que seria o serviço religioso, certamente haveria muita mais gente que ainda pede um casamento ali, só pelo espaço em si, pelo espaço verde e também pela mística que aquilo tem”, acrescenta o padre Ricardo Esteves.
Em maio deste ano, o Património Cultural anunciou um investimento global de cinco milhões de euros, envolvendo a ESTAMO, o Património Cultural e as entidades responsáveis pelos edifícios abrangidos. Entre os imóveis contemplados encontra-se a Igreja de Sanfins de Friestas.
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