Um jornal produz vida

As primeiras memórias que tenho dos jornais referem-se aos títulos regionais e locais, os que dão, de facto, valor a cada região e fortalecem, em cada número, a proximidade, as marcas culturais de um povo e as ligações entre gerações. Isto porque à casa dos meus avós chegavam vários títulos de jornais diocesanos, que eram folheados religiosamente, passados aos vizinhos e retomados durante a semana, a quinzena ou o mês até à chegada do número seguinte.

Notícias de Viana
8 Nov. 2019 3 mins
Um jornal produz vida

Talvez tenha contribuído para a permanência de muito carinho para com os títulos da imprensa regional (que ainda hoje perdura nos diferentes jornais que continuam a preencher muitos recantos da casa) o facto do meu avô ser “correspondente” de “O Primeiro de Janeiro”, diário do Porto que procurava repórteres de ligação à redação a poucas dezenas de quilómetros da sede.

Depois, permaneciam lá por casa os arquivos desse matutino, folheados com alguma curiosidade por nós, os mais novos, despertos pela intriga de ver classificações desportivas de umas décadas atrás, sempre a comparar os primeiros da altura com os de anos passados e revisitados nas páginas d’”O Janeiro”. Estas memórias referem-se a um recanto de uma aldeia, a poucos quilómetros do Porto, hoje já ligada pelas autoestradas. Outras histórias contam a centralidade que um jornal sempre teve, tem e terá para a vitalidade de um grupo, associação ou instituição. 

E como foram (e continuam a ser) cuidadosamente fundados e desenvolvidos tantos projetos editoriais, baluartes de valores, ideias e propostas sociais a transmitir a toda uma comunidade. Assim aconteceu em décadas passadas, nomeadamente no apogeu do lançamento de títulos que marcou o início do século XX, e sempre com uma marca muito identificadora: cada jornal, reunia os melhores! E mesmo que os recursos económicos não fossem muitos – porque nunca foi nesse ambiente de abundância que se fizeram as melhores páginas de qualquer jornal -, abundava a energia, a vontade, o empenho, a criatividade, o inconformismo, as boas histórias! E isso bastava para o dinamismo editorial de um projeto e para o entusiasmo com que se procuravam notícias e títulos para cada edição.

Tempos em que a imprensa não viveu de restos, antes do melhor que cada praça conhecia. Hoje, muitos títulos vão-se acantonando no que resta, nos restos dos recursos, dos orçamentos, pessoas e também restos de criatividade e novidade…

Não é o caso do Jornal Notícias de Viana, como o provam as 1900 edições que fazem a sua história. E se são conhecidos relatos de dificuldades, de quem se foi reinventando, na atual e nas anteriores direções, ainda mais o são as páginas de conteúdos relevantes, histórias criativamente contadas e secções de crescente interesse para cada leitor.

Que seja esse o caminho, porque um jornal produz vida!

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