Motivos profissionais levam 53% das mulheres a adiar rastreio ao cancro do colo do útero

Mais de metade das mulheres portuguesas que adiaram, cancelaram ou ponderaram alterar uma consulta de rastreio ao cancro do colo do útero fizeram-no por motivos profissionais. Os dados constam do Cervical Cancer Europe Study 2025, um inquérito europeu que revela que 53% das mulheres em Portugal que adiaram o rastreio apontam o trabalho como principal razão.

Micaela Barbosa
12 Jan. 2026 3 mins

Segundo o estudo, cerca de um quarto das mulheres em Portugal admite ter adiado, cancelado ou considerado alterar uma consulta de rastreio ao cancro do colo do útero. Entre as que efetivamente o fizeram, os compromissos profissionais foram o argumento usado por 28%, um valor superior à média dos restantes países analisados.

O inquérito foi promovido pela Roche Diagnósticos e realizado pela empresa GWI em seis países europeus, desde Bélgica, Itália, Países Baixos, Polónia, Espanha e Portugal, tendo envolvido 5.518 utilizadores da internet, dos quais 880 em Portugal, com idades entre os 16 e os 64 anos.

É neste contexto que é lançada a iniciativa “Cancro do colo do útero: juntos somos capazes”, com o objetivo de aumentar a consciencialização para a importância do rastreio e do diagnóstico precoce. “Eliminar o cancro do colo do útero é possível, mas apenas através de uma ação coletiva”, afirma Roel Meeusen, diretor-geral da Roche Diagnósticos em Portugal, sublinhando que a iniciativa pretende “sensibilizar para a importância de reduzir as barreiras ao acesso, normalizar as conversas sobre saúde e rastreio do cancro do colo do útero e permitir que mais pessoas elegíveis participem nos seus exames de rotina”.

O estudo revela ainda que, em Portugal, aos desafios já conhecidos que dificultam o acesso ao rastreio, como o medo, indicado por 24% das inquiridas, e o esquecimento (17%), junta-se “a logística da vida agitada e das exigências profissionais”.

Entre as mulheres que atrasaram a consulta de rastreio, 76% trabalham a tempo inteiro e 28% dizem-se sobrecarregadas, o que, segundo o estudo, evidencia a necessidade de maior flexibilidade no local de trabalho. Essa medida é apontada por 23% de todas as mulheres inquiridas como capaz de facilitar a comparência às consultas.

Outras soluções referidas incluem um processo de marcação de consulta mais fácil ou conveniente (33%), uma melhor comunicação por parte dos profissionais de saúde (32%) e opções alternativas de rastreio, como a auto-colheita vaginal para o teste (25%).

O estigma surge como uma preocupação menos frequente, mas continua a ser mais elevado em Portugal do que nos restantes países analisados. 9% das mulheres portuguesas afirmam ter adiado, cancelado ou ponderado alterar a consulta devido ao estigma, seguindo-se Espanha (7%), Países Baixos e Itália (2%).

No que respeita ao apoio masculino, o estudo indica que 31% dos homens em Portugal se ofereceram para acompanhar a parceira à consulta, e a mesma percentagem refere ter prestado apoio prático.

Todos os anos, o cancro do colo do útero afeta “mais de 600 mil mulheres em todo o mundo”, sendo uma doença evitável em quase todos os casos através da vacinação, deteção precoce e tratamento de lesões pré-cancerígenas.

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