GAF assinala 30 anos de intervenção social com livro sobre o “[des]concerto” da comunidade

Durante três décadas, o Gabinete de Atendimento à Família (GAF) cresceu a partir do voluntariado até se tornar uma instituição com “quase 60 profissionais”, dedicada às populações mais vulneráveis. Essa trajetória está, agora, reunida no livro 30 anos [des]concerto social.

Micaela Barbosa
12 Jan. 2026 3 mins

A obra não é apenas um registo histórico. É, segundo a coordenação da instituição, um retrato da forma como o GAF nasceu, cresceu e se foi adaptando a uma realidade social em permanente mudança. “Representa trinta anos de intervenção, de crescimento e de trabalho voltado para as populações mais fragilizadas, em maior risco ou desfavorecimento”, sublinhou Leandra Rodrigues, coordenadora-geral do GAF.

O título do livro não é inocente. Uma parte da palavra “[des]concerto” surge entre parênteses para refletir o contexto em que a instituição atua. “A nossa área de intervenção é, muitas vezes, no caos, quando as coisas estão fora do lugar. Entramos para ajudar a consertar, para que as pessoas encontrem o seu caminho”, explica. Para além das histórias e da evolução institucional, o livro integra informação sobre o modelo de gestão, os serviços e projetos desenvolvidos e os resultados de um estudo junto de parceiros e da comunidade.

Fundado há 30 anos com base no voluntariado e sem equipa técnica, o GAF acompanhou o crescimento das necessidades sociais da região. “À medida que a capacidade de resposta aumentou, também aumentou a população atendida”, referiu Leandra Rodrigues. Cada nova necessidade identificada deu origem a novas respostas, equipas técnicas e serviços, num crescimento progressivo “passinho a passinho”.

Apesar da consolidação, os desafios mantêm-se, sobretudo na área da prevenção. “Falta fazer prevenção em quase todas as áreas. À medida que colmatamos uma necessidade, identificamos outra”, afirmou a coordenadora, sublinhando que o trabalho da instituição depende fortemente de parcerias locais, nacionais, públicas e privadas.

No que diz respeito à população imigrante, o GAF não dispõe de respostas específicas, mas integra estas pessoas nos serviços já existentes. “Surgem com as mesmas problemáticas da população residente, desde violência doméstica a toxicodependência, mas com desafios diferentes, como barreiras linguísticas ou acesso aos serviços”, explicou.

Para Fernando Guerreiro, vogal da direção do GAF, o livro reflete, sobretudo, a projeção que a instituição alcançou ao longo dos anos. “É um registo do que foi acontecendo e do impacte que teve na comunidade”, afirmou. Todos os membros da direção são voluntários, o que torna a gestão da instituição um desafio adicional, conciliado com vida profissional e pessoal.

Curiosamente, o dirigente reconhece que o trabalho do GAF é, por vezes, mais conhecido fora de Viana do Castelo do que dentro da própria cidade. “Talvez se aplique o ditado: santos de casa não fazem milagres”, admitiu. A vertente científica e académica da instituição, reforçada por jornadas anuais e pela ligação à Universidade do Porto, tem contribuído para esse reconhecimento externo.

A apresentação do livro surge, também, como uma oportunidade para aproximar a comunidade local do trabalho desenvolvido. “Não temos utilizado muito a imprensa, nem apostado nessa vertente de divulgação”, reconheceu Fernando Guerreiro. Ainda assim, o livro pretende “dar visibilidade a 30 anos de intervenção social e lançar as bases para os próximos desafios”.

Depois de três décadas, o GAF olha para o futuro com a convicção de que há ainda “mais para crescer”. “Mais trinta anos, com certeza”, concluiu Leandra Rodrigues.

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