ESE-UNIPVC propõe estratégia para fazer de Viana do Castelo uma “cidade que educa”

“É um projeto do território e para o território.” É desta forma que foi apresentada no Fórum de Educação “Sente Espanto” a mais recente proposta da Escola Superior de Educação da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (ESE-UNIPVC), o “Projeto Educativo Municipal de Viana do Castelo: Construção Participada para uma Estratégia Educativa Territorial”.

Catarina Faria
6 Out. 2026 3 mins

Desenvolvido por uma equipa da ESE-UNIPVC, da qual faz parte a Professora Fátima Sousa Pereira, subdiretora da instituição, o projeto procura definir uma estratégia educativa para o território de Viana do Castelo a partir do contributo de diferentes intervenientes. Entre os participantes estiveram os diretores das sete escolas do município envolvidas no projeto.

A proposta partiu de três questões centrais, “o que fazer?”, “quem ouvir?” e “onde aplicar?”, que procuraram dar resposta a uma questão mais abrangente: como construir uma estratégia territorial educativa?

Para Fátima Sousa Pereira, o ponto de partida passa por “reimaginar uma educação em conjunto”, assente em cinco dimensões: conhecer as dinâmicas locais, construir uma visão estratégica, articular com os diferentes atores educativos, agir em conjunto e acompanhar as ações implementadas.

Estes cinco pontos constituem os “caminhos a seguir” e representam, segundo a subdiretora da ESE-UNIPVC, uma “opção conceptual para agir no decorrer do projeto”. No entanto, antes de definir novas ações, existe uma etapa considerada fundamental: “conhecer o território”.

Isso implica identificar os projetos que já existem, perceber de que forma funcionam e compreender quais são as dificuldades sentidas pelos diferentes intervenientes. A proposta procurou, assim, cruzar diferentes perspetivas através da análise das políticas educativas municipais, da auscultação de “interlocutores-chave” e da análise dos projetos já implementados.

O objetivo não passa, necessariamente, por criar mais respostas, mas por aproximar e articular as que já existem. “O problema não é fazer mais, mas passa pelo desafio de articular o melhor que já existe”, sustentou Fátima Sousa Pereira.

A estratégia territorial apresentada assenta em cinco princípios: participação comum, equidade e inclusão, articulação e integração, identidade territorial e sustentabilidade. Princípios que, segundo a docente, não devem ficar apenas pelas “declarações”, mas traduzir-se em “ações” concretas.

A partir destes princípios foi definida uma visão estratégica organizada em cinco eixos: “sucesso educativo e ação social”; “inclusão, cidadania e participação”; “conhecimento, cultura e património”; “bem-estar, saúde e ambiente”; “aprendizagem ao longo da vida”. É neste enquadramento que surge a ideia de “um território que educa em todos os tempos, em todos os espaços e para todos”, apontada por Fátima Sousa Pereira como o caminho a seguir.

A participação, contudo, não deverá terminar com a definição da estratégia. Durante a apresentação, a docente defendeu que este processo deve continuar através de reflexão, reorientação, participação, monitorização e implementação das medidas.

A proposta pretende, assim, contribuir para a construção de uma “cidade que educa”, em que a responsabilidade pela educação ultrapassa os limites das escolas e das instituições municipais. Como resumiu Fátima Sousa Pereira: “A educação não é responsabilidade das escolas, nem dos municípios, mas sim dos territórios e de todos aqueles que a eles pertencem.”

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