Em luto redobrado e agradecido

A escassas semanas do falecimento de D. Anacleto Oliveira (18. 09. 2020), 4º bispo da Diocese, fere-nos a morte de D. José Pedreira (14. 10. 2020), nosso 3º bispo. Toda a Diocese de Viana do Castelo vive em luto redobrado. Desejamos a estes nossos últimos bispos Paz em Deus e endereçamos sentidas condolências às suas famílias.

Notícias de Viana
23 Out. 2020 3 mins
Em luto redobrado e agradecido

Imediatamente brota a ideia de que é muita dor em pouco tempo: ainda chorávamos um e surge um outro, este último de forma mais natural: há tempos inspirava cuidados na Casa Sacerdotal diocesana, onde morava como bispo emérito.

D. José parte para Deus, ele que tanto trabalhou para que todos estivessem bem e tivessem uma velhice honesta. Foi nosso bispo residencial de 1997-2010. Desde que assumiu o governo desta diocese, era seu sonho constante a sua Viana, pela qual muito fez, construindo, perspetivando e sentindo realizações. A Casa Sacerdotal era uma das suas joias. Os seus últimos tempos foram vividos no desprendimento na estrutura que havia delineado para o Clero idoso e que hoje ajuda a Diocese, especialmente sacerdotes e familiares dos sacerdotes.

Um projeto o animou até ao fim, uma orientação incentivou na Diocese, sempre atento à escassez de recursos e sendo providente, particularmente para com os sacerdotes em maiores dificuldades; era solícito para todos quantos a ele recorriam e encorajava-os a prosseguirem a evangelização, ainda que com parcos recursos. Acreditamos que está em Deus porque muito amou e fez uso dos dons que Deus lhe conferiu. Como gostava de ser simples, receba senhor D. José um sincero muito obrigado.

D. Anacleto Oliveira já partiu há um mês. Foi nosso bispo residencial durante a última década (2010-2020). A alma chora alguém que se entregou a todos e que tão sabiamente soube alimentar a Diocese com o suculento alimento da Palavra, ele que era exímio na sua meditação e análise. A Palavra de Deus passou a ser, mais profundamente, a trave mestra da ação pastoral da Igreja diocesana.

Deixou um testamento escrito, sem o saber, pois “Deus escreve direito por linhas tortas”: a sua última Carta Pastoral – Jovem, Levanta-te, Vamos – já foi entregue pelo administrador apostólico, Mons. Sebastião Pires Ferreira, no início deste ano pastoral. A Diocese, neste seu escrito, incentiva os jovens que são o seu futuro: aderi aos dons que o Senhor vos confere e vivei arduamente em Cristo, que repete para vós um mandato: “vamos” (Cfr. D. Anacleto Oliveira – JLV, 30-32). A Diocese tem futuro convosco: sóis o seu hoje e o seu amanhã sempre em promessa. O futuro dá esperança.

O legado que nos deixa é nítido nestas páginas que servem para todos de testamento espiritual, escrito antes da sua acidental e funesta partida: “Só Ele (Cristo) te garante a vida que desejas e do mesmo modo como Ele a viveu: dando-a, partilhando-a. Deu-a por todos, incluindo-te a ti, porque te ama e te quer fazer mediador do seu amor, pelo anúncio do seu Evangelho” (JLV, 36). 

Porque partilhou connosco o amor de Deus, nele seja acolhido. Muito obrigado, senhor D. Anacleto.

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