Na celebração do Domingo de Páscoa, D. João Lavrador sublinhou a Ressurreição de Jesus Cristo como o núcleo essencial da fé cristã, afirmando que este acontecimento revela não só o rosto de Deus, mas também a dignidade e o sentido profundo da vida humana.
Durante a homilia, o Bispo diocesano destacou que a Páscoa “tem uma marca muito especial”, centrada na glória da Ressurreição, que ilumina as grandes relações humanas e permite compreender a vocação de cada pessoa à comunhão com Deus e com os outros.
Partindo do relato evangélico de Maria Madalena junto ao sepulcro, D. João Lavrador apresentou o túmulo vazio como ponto de partida para um caminho de fé mais profundo. Segundo explicou, este sinal só ganha verdadeiro significado para quem se dispõe a ir mais além, movido pelo amor. “É o amor que conduz ao encontro de Cristo e permite reconhecer os sinais da Ressurreição”, afirmou.
O Bispo destacou que, num mundo marcado por sofrimento, violência e desânimo, “tantos sepulcros”, a Ressurreição surge como anúncio de vida nova. “Há um sepulcro que está vazio e há um poder capaz de abrir todos os sepulcros”, disse, apontando este mistério como fonte de esperança para a humanidade.
A homilia evidenciou também a importância da comunicação da fé. Desde o primeiro momento, referiu, a experiência do Ressuscitado gera partilha: Maria Madalena anuncia aos discípulos, que por sua vez correm ao encontro do sepulcro. “A experiência do Ressuscitado é uma experiência de comunicação”, sublinhou.
Neste sentido, reforçou que a fé cristã não se vive de forma isolada, mas em comunidade. É na escuta da Palavra e na fração do pão, evocando o episódio dos discípulos de Emaús, que Cristo se revela e se torna presente. “Só na comunidade nos reconhecemos verdadeiramente como irmãos que vivem de Cristo ressuscitado”, afirmou.
Recorrendo ainda à carta de São Paulo aos Colossenses, o Bispo lembrou que os cristãos são chamados a “aspirar às coisas do alto”, vivendo já, no presente, a realidade da Ressurreição. Apesar das dificuldades e sofrimentos, destacou, estes não têm a última palavra, pois a vida está “escondida em Cristo”.
A celebração assumiu também uma forte dimensão missionária. D. João Lavrador sublinhou que a Páscoa não se esgota na celebração litúrgica, mas implica um envio concreto. “Quem encontra Cristo é chamado a comunicá-Lo aos outros e ao mundo”, frisou.
Segundo afirmou, é neste dinamismo que nasce a Igreja: uma comunidade que vive da Ressurreição e que é enviada a testemunhar a esperança, especialmente junto dos mais frágeis e dos que vivem em situações de sofrimento.
A concluir, deixou uma mensagem pascal dirigida a toda a diocese, com especial atenção aos emigrantes, refugiados, doentes, idosos e pessoas em situação de pobreza, desejando que a alegria da Ressurreição se traduza num compromisso renovado com a vida, a fraternidade e a transformação do mundo.
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