Dois concelhos caem para a AD. Chega só ganha em Gondoriz

As estatísticas que explicam as Europeias no Alto-Minho.

João Basto
10 Jun. 2024 3 mins

A história dos resultados das eleições europeias no Alto-Minho é fácil de fazer. A nível nacional, das oito eleições de 1987 a 2019, cinco foram ganhas pelo PS. No Alto-Minho, os socialistas só ganharam duas, em 1999 e 2004. De 87 para cá, os níveis de abstenção foram aumentando, em linha com a tendência nacional, chegando a ser os mais altos de Portugal nas eleições de 2019. E, dos dez concelhos do distrito, só dois – Arcos de Valdevez e Ponte de Lima – permanecem fiéis ao mesmo partido: PSD.

No entanto, havia algo que era visível olhando para as três últimas eleições. O pódio só tinha dois lugares. E, a seguir, o terceiro e o quarto lugar pareciam estar destinados a um partido de direita e a um partido de esquerda. Foi assim em 2009 como o CDS (10.6%) e o BE (9,3%). Foi, também, assim em 2014 com o MPT, onde Marinho e Pinto foi cabeça de lista com desejos de “verdade na política”, a adquirir 8,1% e a CDU a ficar logo atrás com 7,8%. Do mesmo modo, em 2019, com o CDS – após uma coligação eleitoral em 2014 – a ter 7,15% e o BE 8,39%. 

À primeira vista este quadro geral permanece. A AD ganhou com 36,9% dos votos, ficando o PS com 31,0%. O Chega e a IL repartem o 3º e 4º lugar com 9,6% e 7,4% dos votos respetivamente. E, é precisamente aí que reside a diferença. Se a alternância entre PSD – ou coligação habitual com CDS, e, este ano, também com o PPM – e PS se mantém, o mesmo não se pode dizer acerca do equilíbrio entre esquerda e direita no terceiro e quarto lugares. A diferença de projetos económicos entre BE e IL, assim como a tremenda crispação entre BE e Chega, tornam quase impossível imaginar uma transferência de votos entre estes partidos. Por outro lado, quer PS e AD ganharam votos, quer numericamente, quer percentualmente, o que ainda dificulta mais a resposta à pergunta: como se justifica esta mudança eleitoral, mesmo que se possa falar de voto útil à esquerda e de que o PSD e o CDS juntos perderam, este ano, 2,47% das intenções de voto? 

Há algo que parece irrecusável. Se nas legislativas, há três meses atrás, se falava em fim do bipartidarismo, o eleitorado que votou no Alto-Minho respondeu reforçando a votação nos dois grandes partidos, em contextos idênticos. A marca AD venceu as eleições com mais 5,9% dos votos. E, o PS conseguiu mais 2,55% dos votos. Há esquerda, a CDU (2,6%) foi ultrapassada pelo Livre (2,8%), e o PAN (0,9%) foi cilindrado pelo ADN (1,9%). 

É certo que o voto em mobilidade pode ter misturado a tipologia eleitoral das freguesias, e é sempre impreciso fazer análises nacionais nas eleições europeias, mas há um dado curioso: a AD face às anteriores eleições legislativas, ainda assim, conseguiu mais votos. Subindo de 34,7% para 36,9%. 

E, mantendo a mesma grelha de análise, quem acabou por sofrer com as Europeias foi mesmo o Chega. Se André Ventura tinha referido que desejava vencer estas eleições, acabou mesmo a perder as nove freguesias onde tinha ganho, vencendo numa nova assembleia eleitoral: Gondoriz nos Arcos de Valdevez. Aliás, destas nove freguesias, onde tinha vencido nas legislativas, quatro acabaram mesmo por dar a vitória ao PS, sem que a diferença de abstenção compense a diferença percentual entre ambas as eleições.

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