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Casamento adiado: habitação, estabilidade e novas formas de viver pesam na decisão

“Contrato de união ou vínculo entre duas pessoas que institui deveres conjugais” ou “ato ou efeito de casar” são algumas das definições que o Priberam apresenta para o casamento. Em Portugal, contudo, casar já foi um hábito mais comum entre os portugueses. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), disponibilizados pela Pordata, mostram uma diminuição progressiva do número de casamentos, acompanhada pelo crescimento da chamada união de facto.

Catarina Faria
9 Out. 2026 4 mins
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“O problema da habi­tação é particularmente relevante. Portugal en­contra-se entre os países europeus em que os jo­vens permanecem du­rante mais tempo na casa dos pais. Em 2024, a idade estimada de saída da casa parental situava-se nos 28,9 anos, acima da média da União Europeia, de 26,2 anos.”

Eduardo Duque

Em Portugal predominam dois tipos de casamento: o civil e o católico. Apesar de ambos registarem uma tendência de diminuição, as razões que explicam esta transformação são várias. Eduardo Duque, investigador e professor da Universidade do Minho e autor da obra A Família em Mudança, que analisa as transformações da família portuguesa, aponta para o adiamento da entrada no casamento como um dos principais fatores.

“Em 1990, os homens casavam pela primeira vez, em média, aos 26,2 anos e as mulheres aos 24,2. Em 2025, essas idades tinham subido para 36,1 e 34,6 anos, respetivamente”, explica o inves­tigador. Em 35 anos, a idade média do primeiro casamento aumentou, assim, cerca de uma década.

A evolução é também visível nos números. Em 2015, foram registados 19.816 casamentos civis em Portugal, dos quais 386 no Alto Minho. Dez anos depois, em 2025, o país registou quase 10 mil casamentos civis, enquanto o Alto Minho chegou aos 626. Entre os municípios da região, Viana do Castelo apresenta o maior número de casamentos civis, enquanto Monção e Paredes de Coura registam os valores mais baixos.

No casamento católico, a tendência é inversa. Em 2015, Portugal registou 11.512 casamentos católicos, enquanto no Alto Minho foram contabilizados 384. Em 2025, os números caíram para 6.809 no país e 215 na região.

A redução é particularmente evidente quando se observa o peso dos casamentos católicos no total. Em 1990, 72,5% dos casamentos entre pessoas de sexo oposto eram católicos. Em 2016, representavam cerca de 35% e, em 2025, apenas 18,6%. No Alto Minho, a tendência acompanha a realidade nacional. Em 2025, Melgaço, por exemplo, não registou qualquer casamento católico.

Ainda assim, Eduardo Duque alerta que os números não devem ser interpre­tados diretamente como um retrato da religiosidade dos municípios. “O número absoluto de casamentos religiosos num concelho não mede, por si só, a religio­sidade da população”, salienta.

Para o investigador, os dados traduzem sobretudo uma transformação na forma como o casamento é encarado pelas novas gerações. “O casamento não desa­pareceu do horizonte dos portugueses, mas deixou de ser entendi

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