A Associação Católica Internacional ao Serviço da Juventude Feminina de Viana do Castelo tem vindo a consolidar a sua intervenção junto de crianças e jovens, com respostas que vão do apoio ao estudo, a atividades ocupacionais e comunitárias. Atualmente, acompanha dezenas de utentes, contando com o trabalho de uma equipa reduzida e o contributo de voluntários, num modelo que se adapta às necessidades reais das famílias da cidade. À frente da instituição está uma direção invulgarmente jovem, uma das mais novas a nível nacional, que procura reforçar parcerias locais e responder a desafios estruturais, como a falta de espaço e financiamento. Em entrevista ao Notícias de Viana (NdV), Andreia Ramos, presidente da direção, e Helena Laranjeira, diretora-geral, explicam como o contacto com outras instituições revelou fragilidades no sistema, defendem maior articulação no terreno e sublinham uma identidade clara: uma associação de matriz católica, mas aberta a todos.
(NdV): O que identificaram como mais urgente no contacto com outras instituições?
(ACISJF): Percebemos uma realidade que nem sempre é visível. Muitos jovens, quando saem das instituições de acolhimento, ficam sem qualquer acompanhamento. Ainda estão em processo de integração e perdem uma estrutura essencial.
Foi-nos dito que respostas como o nosso centro de estudo podem fazer a diferença nessa fase de transição. Não substituem, mas asseguram continuidade e proximidade.
Para além disso, são jovens que muitas vezes não têm retaguarda familiar estruturada, o que torna essa transição ainda mais exigente. Sem esse acompanhamento, o risco de descontinuidade no percurso escolar, ou até de exclusão social, aumenta. É precisamente nesse ponto intermédio que sentimos que podemos ter um papel mais ativo.
Isto reforçou uma preocupação maior: a falta de articulação. Muitas vezes, as instituições não conhecem em profundidade as respostas existentes à sua volta, o que pode levar à duplicação ou à ausência de apoio em áreas críticas. Um trabalho mais próximo, a nível local, permitiria maior eficácia.
(NdV): Essa articulação já existe ou continua a ser um desafio?
(ACISJF): Existe, mas ainda de forma insuficiente. Há encontros nacionais, mas nem sempre têm impacte direto na realidade local. O que faria diferença, seria reforçar o contacto entre instituições do mesmo território, que lidam com as mesmas famílias e problemáticas.
Iniciativas como a “caminhada da família” mostram esse potencial porque permitem criar laços, partilhar experiências e conhecer melhor o trabalho de cada entidade. Esse conhecimento facilita o encaminhamento das situações e evita sobreposição de respostas.
Isso permite, por exemplo, encaminhar situações de forma mais rápida e eficaz, evitando que famílias tenham de percorrer várias respostas até encontrar apoio. Ganham-se tempo, recursos e, sobretudo, qualidade na intervenção.
No fundo, trata-se de passar de uma lógica isolada para uma lógica de complementaridade e cooperação efetiva.
(NdV): Para além da intervenção social, têm apostado também no artesanato. Qual é o objetivo?
(ACISJF): O artesanato, sobretudo o trabalho com o palmito, faz parte da nossa identidade. Procuramos preservar e transmitir este património às gerações mais novas, através de parcerias com escolas e atividades práticas que aproximam as crianças destas tradições.
Também levamos esta vertente a empresas, onde tem sido bem recebida, não só pela componente solidária, mas também pelo valor do trabalho manual como experiência diferenciadora e de bem-estar.
Para além da componente técnica, há também um impacte emocional. O processo criativo e o contacto com os materiais acabam por ter um efeito positivo no bem-estar de quem participa.
(NdV): Como funciona o trabalho com jovens sinalizados pelas escolas?
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