Colégio do Minho celebra 84 anos entre a memória do passado e os desafios do futuro, reafirmando a sua ligação à Diocese de Viana do Castelo

O Colégio do Minho assinalou os 84 anos de existência com uma celebração que reuniu alunos, famílias, professores e responsáveis da instituição. Num momento marcado pela memória do percurso já realizado, mas também pelos desafios do futuro, o aniversário serviu para recordar a identidade da escola e reafirmar a sua ligação à Diocese de Viana do Castelo, que se prepara para celebrar os 50 anos da sua criação.

Catarina Faria
2 Out. 2026 4 mins

A caminho do centenário, o diretor do Colégio do Minho, Ricardo Sousa, considera que o mais importante não é necessariamente mudar, mas garantir que a instituição não perde os princípios que estiveram na sua origem. “Estamos a caminho dos 100 e é importante termos consciência disso”, afirmou, defendendo a importância de assinalar a data em comunidade.

“Eu não sei se precisamos de mudar. O que precisamos é de nunca perder o norte”, afirmou Ricardo Sousa, sublinhando que o Colégio deve saber acompanhar os “sinais dos tempos”, sem deixar para trás a identidade que marcou a sua fundação.

“No fundo escrevemos a história no presente, mas outros já escreveram no passado e certamente outros escreverão no futuro”, afirmou o diretor, considerando “importante apercebemo-nos de que temos uma história já com alguma longevidade”.

Nesse sentido, Ricardo Sousa reforçou a importância de olhar para as origens da instituição: “Esta casa é uma escola católica e é importante vermos sempre as nossas fontes e percebermos quais são os princípios que estão na sua origem e, a partir daí, deixar caminhar”, acrescentou.

A relação com a Diocese ganhou particular destaque durante a celebração, numa altura em que a Igreja diocesana se prepara para assinalar os 50 anos da sua criação. Para Ricardo Sousa, o jubileu constitui uma oportunidade para reforçar o sentimento de pertença da comunidade educativa à Diocese, referindo que “a primeira coisa a fazer é consciencializar a nossa comunidade de que nós fazemos parte da Diocese como pedras vivas, porque às vezes andamos um bocadinho esquecidos disso”.

Do lado da Diocese, o Bispo de Viana do Castelo, D. João Lavrador, sublinhou, igualmente, a proximidade entre as duas instituições, descrevendo o Colégio do Minho como “uma expressão educativa da Diocese” e identificando a Diocese como a sua “Igreja-mãe”.

Durante a celebração, D. João Lavrador destacou a longa tradição da Igreja no domínio da educação, recordando que esta missão está ligada ao mandato de Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo, ensinai”.

Para o prelado, a presença da Igreja no ensino continua a assumir importância numa sociedade pluralista e democrática, na qual considera que deve continuar a apresentar a sua conceção sobre o ser humano.

“A Igreja tem, nesta dupla função, a obrigação de estar presente e oferecer a sua forma de entender o ser humano, porque ela tem uma forma de entender e educar, e formar através dessa forma, mas, por outro lado, deve ajudar a própria sociedade de hoje, sobretudo aqueles que a conduzem, a reconhecerem que, numa sociedade democrática e plural, todos devem ter lugar e pertença à sociedade”, afirmou o Bispo.

D. João Lavrador considerou, ainda, que as instituições de ensino católico assumem particular importância perante aquilo que descreveu como uma “cultura do vazio”, marcada pelo “individualismo” e pela fragmentação, em que, na sua perspetiva, existe o risco de se olhar apenas para uma dimensão da pessoa.

O prelado defendeu, por isso, um modelo educativo que considere a pessoa na sua globalidade, “atendendo ao ser humano naquilo que é a sua integralidade, desenvolvendo todas as suas capacidades e projetando-o para um futuro que se quer na esperança e na alegria”.

A dimensão comunitária esteve também presente na homilia proferida durante a Eucaristia. Partindo do Evangelho, D. João Lavrador apresentou a criança como exemplo de algumas das qualidades que devem permanecer ao longo da vida, nomeadamente a amizade, a proximidade e a atenção ao outro. A mensagem foi dirigida à própria comunidade educativa, com o Bispo a defender a necessidade de transformar o Colégio numa comunidade assente na proximidade e no cuidado mútuo.

“Fazermos todos do Colégio uma autêntica família, entre nós e para nós, vivendo a amizade, a proximidade, a fraternidade e o cuidado uns pelos outros é o que se procura”, apelou D. João Lavrador.

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