Viana do Castelo vai acolher novo centro para discutir os caminhos da educação

A cidade de Viana do Castelo vai ser sede do Centro “Futuros da Educação - António Sampaio Nóvoa”, local que procura dar a conhecer o passado, o presente e o futuro da educação em Portugal, mas com principal foque no Alto Minho. Tendo por base um “novo contrato social da educação”, o espaço contará com a biblioteca pessoal daquele que lhe dá nome: António Sampaio Nóvoa, natural de Valença.

Catarina Faria
2 Out. 2026 3 mins

A criação deste centro deu o “primeiro passo”, com a assinatura de um protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Viana do Castelo, a Universidade Politécnica de Viana do Castelo e António Sampaio da Nóvoa, no âmbito do Fórum de Educação “Sente Espanto”. O acordo pretende concretizar a vontade do professor de contribuir para o desenvolvimento da região onde nasceu, através da valorização da educação, da ciência e da cultura. 

No decorrer do seu discurso António Sampaio Nóvoa, Reitor honorário da Universidade de Lisboa, frisou a necessidade de discutir um novo “contrato social da educação”, tendo por base dois elementos essenciais, que segundo o mesmo são as bases da educação: as escolas e os professores. “Não vai ser a partir de grandes reformas educativas que as coisas vão mudar”, assumiu o professor, reiterando que esta “mudança” só é possível através “daquilo que já se faz”, descrevendo as discussões do que se pode ou não alterar das dinâmicas, já existentes, nas escolas. 

Para o Reitor, é fundamental “criar condições para que aqueles que querem criar iniciativas e projetos possam fazê-lo sem serem travados pela burocracia”, permitindo reforçar a autonomia das próprias instituições educativas. A atribuição de maior capacidade de decisão aos professores foi também apontada como uma condição para que estes “sejam e se sintam capazes”.

O professor sintetizou esta visão numa das ideias centrais da sua intervenção: “É necessário renovar o contrato social da educação sem perder a raiz humanista daquilo que já se conhece como sendo as escolas.”

É precisamente este pensamento que pretende trazer para o Alto Minho, procurando dar uma maior “centralidade” à discussão sobre o futuro da educação na região. “É preciso resgatar esta missão”, afirmou, numa reflexão que pretende colocar as escolas, os professores e a comunidade no centro das mudanças educativas. 

O protocolo de cooperação surge considerando a vontade do Município de “consolidar Viana do Castelo como Município Educador, comprometido em garantir as condições para o acesso universal à educação, inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos, reforçando o potencial humano como alavanca estratégica da competitividade do território e da retenção do talento” e de “consolidar uma estratégia educativa integrada em diversos domínios, como a cultura, a ciência, o desporto e o ambiente”.

Considera igualmente a vontade da Universidade Politécnica de Viana do Castelo de “promover uma política de investigação mediante a definição de linhas estratégicas que possam diferenciar a Universidade Politécnica de Viana do Castelo no contexto global do ensino superior”, bem como de “fortalecer as parcerias internacionais” e de participar na “globalização do ensino superior”, nomeadamente na área da educação da responsabilidade da sua Escola Superior de Educação.

Viana do Castelo conta com 25 jardins de infância, 34 estabelecimentos do 1.º Ciclo, 9 do 2.º e 3.º Ciclos e 6 escolas de Ensino Secundário, a que se juntam 3 estabelecimentos com Ensino Secundário Profissional. Ao todo, são cerca de 10.700 alunos.

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