O Relatório Anual de 2025 do Programa Nacional de Vacinação (PNV), recentemente apresentado, reúne os dados relativos à vacinação em Portugal ao longo do último ano, abrangendo todas as faixas etárias, desde os recém-nascidos até à população idosa. O relatório surge num ano particularmente simbólico para o programa, que em 2025 assinalou 60 anos de existência, consolidando-se como um “pilar fundamental da política de saúde pública”.
Revisto pela Direção-Geral da Saúde e elaborado com base nas propostas da Comissão Técnica de Vacinação, o PNV assenta em cinco fundamentos essenciais: a evidência científica mais recente, a disponibilidade de vacinas, a evolução epidemiológica das doenças evitáveis pela vacinação, as transformações sociais e a organização dos recursos dos serviços de saúde.
Segundo a Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), o PNV “constitui uma das principais ferramentas de proteção da saúde pública, contribuindo de forma decisiva para a prevenção de doenças transmissíveis, a redução da mortalidade e a proteção das populações mais vulneráveis”.
A nível nacional, o relatório evidencia, contudo, alguns decréscimos nas coberturas vacinais face a 2024, nomeadamente em determinadas coortes (grupos de pessoas que têm uma determinada característica em comum) relativas à vacina contra o sarampo, a parotidite epidémica (papeira) e a rubéola. Ainda assim, em 2025 foram administradas cerca de 3,5 milhões de doses de vacinas em Portugal, o equivalente, em média, à administração de uma dose a cada nove segundos.
A análise das coberturas por município continua a revelar, porém, desigualdades territoriais. O Algarve e o Alentejo apresentam os resultados menos favoráveis do país, enquanto a região norte mantém níveis de cobertura mais elevados.
Na ULSAM, a mais recente avaliação das coberturas vacinais permitiu verificar que mais de 98% das crianças até aos três anos de idade, pertencentes às coortes de nascimento de 2023, 2024 e 2025, cumprem o esquema vacinal recomendado para a idade. Um resultado que, segundo a ULSAM, acompanha a realidade observada na generalidade da região norte.
Nas vacinas destinadas à proteção contra doenças como pneumonia, meningite, sarampo, parotidite epidémica e rubéola, as coberturas situam-se, contudo, em torno dos 95%, segundo os dados apresentados no relatório. Entre as mulheres grávidas, 82,9% receberam as vacinas recomendadas.
No Alto Minho, os dados municipais permitem observar uma redução progressiva da cobertura vacinal à medida que avançam as administrações previstas no esquema de vacinação, sendo que, em alguns casos, a quebra ultrapassa os cinco pontos percentuais.
Na vacinação contra a difteria e o tétano, o Alto Minho apresenta, ainda assim, níveis de cobertura superiores a 90% em todos os municípios. Ponte de Lima lidera a região, com 94,1%, seguida de Ponte da Barca (93,6%), Monção (93,5%) e Arcos de Valdevez (93,2%). No extremo oposto surge Paredes de Coura, com 90%, o valor mais baixo registado no território. Entre os restantes municípios, Melgaço e Viana do Castelo atingem 92,9%, Valença 92,5%, Vila Nova de Cerveira 92,3% e Caminha 92%. Os dados evidenciem a necessidade de acompanhar as coberturas nas administrações subsequentes.
Para a Diretora-Geral da Saúde, Rita Sá Machado, “voltou a verificar-se o cumprimento da generalidade das metas nacionais de cobertura vacinal nas diferentes coortes e vacinas analisadas”.
A responsável salienta, ainda, que a divulgação das coberturas desagregadas por município pretende permitir identificar bolsas de população suscetível e reduzir assimetrias territoriais, garantindo que o PNV continua a cumprir os princípios que estão na sua origem: “Universalidade”, “Gratuitidade”, “Acessibilidade”, “Equidade” e o “aproveitamento de todas as oportunidades de vacinação”.
“Por fim, deixo um apelo público: promover a vacinação é um dever cívico e uma responsabilidade social. É proteger quem mais estimamos, fortalecer o sistema de saúde e cuidar de nós próprios”, conclui Rita Sá Machado.
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