Em Portugal, são abandonados, em média, mais de 100 animais de estimação por dia, segundo os dados disponíveis. Um número que, de acordo com canis e associações de proteção animal, tende a aumentar e a colocar uma pressão crescente sobre estas entidades. No Alto Minho, a realidade não atinge a mesma dimensão, mas o abandono animal tem vindo a ganhar expressão, tornando-se uma preocupação cada vez mais presente entre associações e entidades que, diariamente, acolhem, tratam e procuram dar uma nova oportunidade a animais abandonados ou sem os cuidados necessários.
Desde 2014 que abandonar animais em Portugal é crime, mas isso não impede que as pessoas o façam e que seja um “mau hábito” com cada vez mais presença no território português.
No Alto Minho, existem mais de dez associações dedicadas ao apoio e proteção animal. Apesar do número significativo de entidades no território, a sua presença não significa que o problema do abandono esteja controlado. Entre as principais dificuldades apontadas estão a falta de espaço, o financiamento insuficiente e a escassez de recursos humanos, limitações que condicionam a capacidade de resposta das associações.
A Associação Limiana para o Ambiente e Animais de Rua (ALAAR), em Ponte de Lima, é uma das entidades que, diariamente, enfrenta esta realidade. Susana Franco, membro da associação, admite que a situação começa a pesar sobre quem assegura o trabalho diário: “Começa a ser uma carga muito pesada para as pessoas que estão aqui diariamente, porque temos de ter consciência de que a nossa capacidade não é infinita”.
A responsável esclarece que a dificuldade não está apenas na dimensão do espaço disponível, mas sobretudo nas condições e na capacidade humana para acolher mais animais: “Não é falta de espaço. É mesmo falta de infraestrutura para acolher mais, mas também temos de ter noção da nossa capacidade física e dos recursos humanos, que não são muitos”.
“As nossas adoções são todas presenciais. As pessoas têm de vir cá e, se nós não gostarmos da pessoa, não vai. Há um controlo, porque queremos perceber quem vai levar o animal e para onde o vai levar”.
Susana Franco
Segundo Susana Franco, da ALAAR, o abandono representa, atualmente, a maioria dos casos que chegam à associação, embora também existam situações de devolução ou pedidos de acolhimento feitos pelas próprias famílias. “Neste momento, se calhar, estamos numa fase de 60% de abandono e 40% de devolução, ou então, mesmo de pedidos de acolhimento por parte das famílias”, explica.
Entre os
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