Monção quase triplica água distribuída em duas décadas, mas tendência abranda no Alto Minho

A quantidade de água distribuída pela rede pública revela diferenças significativas entre os municípios do Alto Minho, com Monção a destacar-se pelo crescimento registado nas últimas duas décadas. A região aumentou o volume de água distribuída desde o início do século, mas os dados mais recentes mostram uma inversão da tendência, com vários municípios a registarem descidas nos últimos anos.

Notícias de Viana
23 Set. 2026 3 mins

Em pouco mais de duas décadas, Monção quase triplicou o volume de água distribuída pela rede pública. Em 2001, eram 400 mil metros cúbicos. Dez anos depois, o município já ultrapassava os 860 mil, seguindo-se um novo aumento para 962 mil em 2021. Em 2023, o valor chegou aos 1,171 milhões de metros cúbicos, o mais elevado entre os anos apresentados. 

Ponte de Lima apresenta igualmente uma evolução significativa no volume de água distribuída. O município passou de 755 mil metros cúbicos, em 2001, para 1,439 milhões, em 2011, praticamente duplicando o valor registado na década anterior. Em 2021, atingiu os 1,936 milhões de metros cúbicos, o valor mais elevado da série, antes de recuar para 1,619 milhões, em 2023. Importa, contudo, salientar que os valores de 2021 e 2023 são estimados. 

Em sentido contrário, Viana do Castelo destaca-se pelos valores absolutos mais elevados entre os municípios analisados, embora tenha registado uma ligeira diminuição face a 2001. O município passou de 4,250 milhões de metros cúbicos, nesse ano, para 4,082 milhões, em 2023. Pelo meio, atingiu o valor máximo da série em 2011, com 5,206 milhões de metros cúbicos, antes de iniciar uma trajetória de descida. 

Entre os restantes municípios, Ponte da Barca registou também um crescimento expressivo, praticamente duplicando o volume de água distribuída entre 2001 e 2023. O município passou de 291 mil metros cúbicos, em 2001, para 692 mil, em 2023.

Já Valença apresentou uma evolução mais irregular ao longo do período analisado. Depois de passar dos 730 mil metros cúbicos, em 2001, para 790 mil, em 2011, o volume distribuído recuou para 649 mil, em 2021, voltando a aumentar para 716 mil metros cúbicos, em 2023.

A Águas do Alto Minho (AdAM) presta serviços de abastecimento de água e saneamento de águas residuais nos municípios de Arcos de Valdevez, Caminha, Paredes de Coura, Ponte de Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira.

Desde a sua criação, há sete anos, a empresa contribuiu para o aumento da cobertura da rede de abastecimento de água no Alto Minho, que passou de 91,8% para 96,6%. Segundo os dados apresentados pelo presidente do Conselho de Administração, Pedro Cruz, a qualidade da água distribuída atingiu os 99,5% de conformidade, enquanto a conformidade da água residual tratada subiu de 75% para 99,4%.

Atualmente, a AdAM assegura cerca de 200 mil serviços diários de abastecimento de água e saneamento, abrangendo mais de 114 mil clientes de abastecimento e cerca de 82 mil clientes de saneamento. A empresa gere ainda uma rede de aproximadamente 5.800 quilómetros de infraestruturas, que inclui 132 reservatórios e 28 estações de tratamento de águas residuais.

Segundo a AdAM, para o período 2019-2049, está previsto um investimento de 271 milhões de euros destinado à reabilitação, renovação e substituição da rede, à construção de novas infraestruturas e à sua manutenção. Deste montante, 33,3 milhões de euros estavam previstos para ser concretizados nos primeiros três anos.

No Alto Minho, a gestão do abastecimento de água não está, contudo, totalmente concentrada na AdAM. Melgaço, Monção e Ponte da Barca mantêm a distribuição de água sob gestão dos próprios municípios.

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