A Câmara Municipal de Caminha aprovou por unanimidade as contas de 2025, que apresentam um resultado líquido positivo de 991 mil euros e uma execução da receita de 25,9 milhões de euros. O documento foi aprovado pela maioria PSD e pelos eleitos do PS.
O relatório indica uma execução da despesa de 24,8 milhões de euros, com a receita corrente a atingir 92,27% e a despesa corrente 91,75%.
Apesar do resultado positivo, o debate em reunião de Câmara ficou marcado por leituras políticas distintas sobre a situação financeira do município e pelo anúncio de uma auditoria às contas e dívidas herdadas.
A presidente da autarquia, Liliana Silva, destacou o saldo positivo, mas considerou-o insuficiente face ao estado do concelho. “É sempre uma boa notícia, mas não é muito se olharmos à realidade do concelho, ao estado de muitos equipamentos públicos e à falta de investimento dos últimos anos”, afirmou.
A autarca apontou ainda o que diz ser um aumento significativo de despesas em comunicação e marketing institucional. “Percebemos claramente que foi um ano eleitoral, com aumentos de rubricas que visavam essencialmente a área da comunicação e marketing institucional”, referiu, sublinhando também a baixa execução em investimento municipal e na área da habitação.
Liliana Silva alertou igualmente para a perda de fundos comunitários em dois projetos e para a necessidade de devolver cerca de 209 mil euros. “Não foram cumpridos os objetivos nem alcançadas as metas contratualizadas”, disse.
Do lado do anterior executivo, o vereador Rui Lages, que presidiu à autarquia entre 2022 e 2025, defendeu a leitura positiva dos números e rejeitou críticas à gestão socialista. “Este documento reflete uma saúde financeira positiva da Câmara”, afirmou.
O ex-autarca acrescentou ainda que “os números são inequívocos” e sublinhou que o município foi entregue com liquidez e resultado positivo, rejeitando a ideia de degradação financeira. “Entregámos este município com resultado líquido positivo. Esta liquidez é fruto de gestão com execução de 97% de receita corrente”, disse.
Paralelamente à aprovação das contas, a presidente da Câmara anunciou a contratação de uma auditoria financeira para analisar dívidas e decisões de anteriores mandatos, admitindo dúvidas sobre a legalidade de alguns procedimentos. “Há aqui algumas decisões que considero que não são legais”, afirmou Liliana Silva, apontando em particular a evolução da dívida associada à PPP das piscinas de Vila Praia de Âncora, gerida pela Caminhaequi, que diz ascender a mais de 2,5 milhões de euros.
A autarca referiu ainda uma alegada dívida de 677 mil euros ao agrupamento de escolas Sidónio Pais, questionando a forma como terá sido tratada em anos anteriores.
Em resposta, Rui Lages rejeitou a existência de ocultação de dívida e defendeu a regularização dos compromissos assumidos. “O relatório tenta imputar-me uma dívida acumulada. Mas foi em 2025 que as mensalidades foram pagas na totalidade”, afirmou.
O ex-presidente sublinhou ainda que a evolução das contas reflete responsabilidade financeira. “Entregámos a Câmara com contas certas, lucro e liquidez imediata”, disse.
c/Lusa
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