Na celebração da Quinta-Feira Santa, marcada pelo rito do lava-pés, o bispo D. João Lavrador presidiu à eucaristia na Sé, deixando um forte apelo à vivência do amor como serviço e à transformação da sociedade a partir da fé cristã.
Na homilia, centrada no significado da “hora” de Jesus, momento de entrega total, o prelado destacou que este gesto não é apenas simbólico, mas um convite concreto à mudança de vida. “O amor é sempre novidade”, afirmou, sublinhando que a experiência cristã não se reduz a tradição ou discurso, mas implica uma renovação contínua das atitudes pessoais e comunitárias.
Recuperando a narrativa evangélica do lava-pés, o Bispo salientou a inversão de lógica proposta por Cristo. “Jesus Cristo, sendo Senhor, tornou-se servo”, lembrou.
Para D. João Lavrador, este gesto desafia diretamente as estruturas habituais de poder e convida a uma Igreja e a uma sociedade marcadas pelo serviço, e não pela dominação.
Ao longo da intervenção, alertou para as diversas formas de pobreza contemporânea, indo além da carência material. “O maior de todos os pobres é aquele que não tem Deus”, citou, defendendo que a resposta cristã deve integrar tanto o apoio concreto como o anúncio espiritual.
Num tom crítico, mas pastoral, sublinhou que a fé não pode ser vivida como mera herança cultural. “Entramos aqui com os nossos critérios e preconceitos”, reconheceu, acrescentando que o encontro com Cristo exige abertura interior e transformação. “Isto não se aprende só pela inteligência, depende da nossa sintonia com o Senhor”, disse.
Por fim, deixou um apelo à responsabilidade dos cristãos na vida pública e comunitária. Mais do que preservar estruturas, disse, importa testemunhar uma “civilização do amor” enraizada na prática concreta do serviço. “O único poder cristão possível é o poder de servir”, concluiu.
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