A intervenção no paredão de Moledo, em Caminha, é uma das respostas mais visíveis aos estragos provocados pelas tempestades deste inverno, um episódio que expôs fragilidades ao longo de toda a costa portuguesa e acelerou obras urgentes avaliadas em 27 milhões de euros.
No concelho de Caminha, a obra de emergência já está no terreno e deverá ficar concluída no prazo de um mês. Orçada em 150 mil euros, a intervenção visa estabilizar o paredão parcialmente destruído pela forte agitação marítima e garantir condições de segurança para quem frequenta a praia. “O que vamos fazer aqui é uma intervenção de emergência, isto é, criar condições de segurança para quem vai frequentar esta praia”, explicou o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado.
A solução agora em curso é provisória. Após a época balnear, deverá avançar uma intervenção mais estrutural, apontada para o outono, com um custo estimado entre três e quatro milhões de euros. O objetivo é reconstruir o paredão com maior resiliência à erosão. “Refazer o muro como deve ser, mais resiliente e mais adaptado ao processo erosivo”, detalhou o responsável, acrescentando que serão feitas sondagens ao restante troço para avaliar o estado da estrutura.
A situação em Moledo, onde o mar chegou a destruir parte de uma esplanada e ameaçar infraestruturas, reflete um problema mais amplo. “Mais de 20% da nossa faixa costeira está em processo erosivo, com ameaça de perda de território”, alertou Pimenta Machado.
Perante este cenário, a APA tem em curso um conjunto de intervenções urgentes em todo o país, que estão a avançar “dentro do calendário”. “Estamos a cumprir o calendário que tínhamos proposto para as ações imediatas, orçadas em 27 milhões de euros”, garantiu o presidente da agência, referindo que estas obras resultam diretamente dos danos causados pelas tempestades.
Além do Alto Minho, as intervenções estendem-se a vários pontos críticos. Ovar é apontado como o concelho mais afetado, mas há também obras em Esposende e Espinho. No Algarve, arrancaram operações de grande escala de reposição de areia entre Quarteira e o Garrão, bem como na praia de Forte Novo.
Na Costa da Caparica, está prevista até ao final de abril uma operação considerada prioritária. “Está adjudicado, o concurso está concluído e agora estamos na parte processual”, disse.
Já nas praias de Mafra, o arranque das empreitadas deverá acontecer nas próximas semanas. “A obra está adjudicada”, afirmou, apontando para o início “dentro de 15 dias”.
Em Moledo, a evolução do areal continua sob monitorização. “Estamos a acompanhar para perceber se haverá necessidade” de reforço de areia antes da época balnear, decisão que deverá ser tomada até ao final de abril.
Depois de um inverno “muito exigente”, marcado por um autêntico comboio de tempestades, a pressão sobre o litoral tornou-se mais evidente. “Será um ano de grande exigência para nós”, resumiu Pimenta Machado, sublinhando o desafio de responder, em simultâneo, a múltiplas frentes de erosão costeira no país.
c/ Lusa
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