O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, garantiu, em Viana do Castelo, que há “espaço de participação política para todos” no partido, respondendo às críticas de um grupo de militantes que contestam os prazos para o próximo Congresso Nacional e apontam sinais de “estagnação” interna.
À margem de um encontro com cerca de 150 militantes e simpatizantes, no âmbito da sua recandidatura à liderança socialista, sob o lema “Contamos Todos”, o líder do PS desvalorizou o alcance das críticas e sublinhou a relação pessoal com os subscritores do apelo. “Há mais de 30 anos que conheço estes camaradas, por quem tenho muita estima”, afirmou, recusando aprofundar divergências públicas. Ainda assim, deixou uma mensagem política clara: “Não falta espaço de participação política para todos quantos querem contribuir positivamente para uma alternativa a este Governo.”
Os críticos defenderam mais tempo para preparar o Congresso, apontando “prazos apertados” e a ausência de debate interno estruturado. José Luís Carneiro optou por recentrar o discurso na mobilização do partido e na abertura à sociedade civil, referindo encontros realizados durante a tarde com independentes. “Para nós, o mais importante é discutir com as pessoas”, afirmou, sinalizando uma estratégia de alargamento da base de apoio e de construção programática participada.
O secretário-geral socialista admitiu que apenas na quinta-feira ficará claro se avançará como candidato único à liderança do partido. Até lá, mantém a agenda de contactos e sessões distritais, num roteiro que visa demonstrar apoio interno consolidado.
Questionado sobre o novo ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro recusou comentar a escolha de Luís Neves, sublinhando que se trata de uma decisão que compete ao primeiro-ministro. Também evitou pronunciar-se sobre o novo adiamento, para 6 de março, das eleições para o Conselho de Estado, Provedor de Justiça e Tribunal Constitucional.
Em Viana do Castelo, o líder socialista destacou ainda os temas económicos e estruturais que quer colocar no centro do debate político, sublinhando a importância do investimento público nas ligações rodoviárias e ferroviárias, referindo, em particular, o projeto de alta velocidade que deverá ligar Lisboa ao Porto, com extensão a Braga e Vigo, em Espanha.
Mas foi a economia do mar que mereceu maior ênfase. José Luís Carneiro defendeu a valorização das infraestruturas portuárias, apontando o Porto de Viana do Castelo como estratégico para responder ao crescimento das exportações e importações nacionais. “Há hoje necessidades portuárias para que o país consiga fazer face ao crescimento da economia”, afirmou, defendendo que o porto da capital do Alto Minho deve assumir maior prioridade política nos investimentos futuros.
Num momento em que enfrenta críticas internas quanto ao calendário e ao modelo de preparação do Congresso, José Luís Carneiro procura afirmar a autoridade sem alimentar a polémica, projetando estabilidade e foco programático numa fase em que o PS tenta reforçar-se como alternativa ao Governo.
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