O que antes era uma zona “isolada de tudo e de todos” transformou-se, nos últimos meses, num ponto de passagem constante de autocarros, camiões e viaturas pesadas. No Bairro dos Pescadores, na Praia Norte, em Viana do Castelo, moradores relatam uma degradação significativa das condições de vida, com “barulho 24 horas por dia” e riscos acrescidos para a segurança.
“Isto passou a ser uma autoestrada. É cedo de noite, de madrugada, e com muita velocidade”, resume uma das residentes, descrevendo a nova realidade do bairro.
Segundo os habitantes, a alteração no circuito de circulação, associada à instalação de infraestruturas e serviços, trouxe veículos que antes utilizavam a zona industrial para o interior do bairro. “É ridículo mudarem a circulação dos transportes rodoviários da estrada de acesso à zona industrial para uma zona de crianças de moradias,” contou outro morador, reforçando a frustração generalizada.
Entre as principais queixas está o ruído provocado pelos camiões de recolha de resíduos, que, de acordo com os moradores, realizam operações de trituração em frente às habitações, inclusive em horários noturnos. “Os caminhões vêm moer o lixo à frente das casas. É de dia e de noite. As pessoas querem dormir, mas não conseguem,” relatou uma moradora, visivelmente exausta.
A circulação de autocarros também gera tensão. O logradouro de algumas casas foi transformado em rota de manobras, obrigando veículos pesados a passar “o mais junto possível às casas”. “Aqui era um logradouro das casas, para as caminhonetas darem a volta. Agora quase vão bater nas casas. Rebentaram com tudo para os autocarros darem a volta,” explicou outro residente.
O barulho constante e a proximidade dos veículos aumentam os riscos numa zona onde vivem crianças e idosos. Um episódio recente envolveu um idoso que esteve em perigo ao tentar atravessar a rua com veículos passando muito próximos. “Isto é uma pouca vergonha. Há crianças, há pessoas doentes, há idosos,” sublinha uma moradora.
Além do tráfego intenso, os moradores lamentam a falta de comunicação sobre as mudanças. “Ninguém nos informou de nada”, garante uma residente, lembrando que chegou a questionar o presidente da Câmara durante o período eleitoral sobre o impacto das obras. “Disse-me para olhar para o telemóvel e que o ruído ia ser aquele”, afirma, acrescentando que a realidade atual “não tem nada a ver”.
O impacto no dia-a-dia é evidente. Moradores relatam dificuldade em dormir devido aos barulhos noturnos de camiões e carros, além de preocupações com a segurança. “Nem com medicação consigo dormir. Isto é uma pouca vergonha. Há crianças, pessoas doentes, idosos… ninguém está seguro,” conta uma residente.
A reorganização do tráfego e o fechamento de antigos portões de acesso fizeram com que veículos que antes passavam pela zona industrial agora circulem junto às casas, aumentando a sensação de insegurança e desconforto. “O acesso era por ali, pela zona industrial. Já percebi, já percebi. Agora eles vêm por aqui e passam em frente às casas,” lamenta um morador.
A situação já foi reportada à União das Freguesias de Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela. Ao Notícias de Viana, a presidente Cláudia Marinho confirmou ter transmitido ao município a “crescente preocupação” dos moradores, sobretudo devido ao ruído provocado pelos camiões de recolha de resíduos, incluindo durante a noite, e à circulação de autocarros a velocidades consideradas excessivas numa zona frequentada por crianças e idosos.
Segundo a autarca, os residentes apontam ainda dificuldades causadas pelo estacionamento junto às habitações e defendem que a alteração do circuito, anteriormente feito pela zona industrial, agravou os constrangimentos, apelando a uma reavaliação da solução atual.
Os moradores admitem avançar com formas de protesto caso a situação se mantenha. “Se não houver resposta, tomamos medidas mais drásticas”, afirmam, apontando para a possibilidade de ações no terreno para impedir a circulação de veículos.
Cláudia Marinho adiantou ainda que a Câmara Municipal de Viana do Castelo respondeu por escrito, informando estar “a analisar o assunto com o devido cuidado e atenção, de forma a garantir a tranquilidade dos residentes”, sem, para já, avançar medidas concretas.
O Notícias de Viana contactou a autarquia mas, até ao momento, não recebeu qualquer resposta.
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