Orçamento municipal de Paredes de Coura aprovado, mas dividiu Assembleia Municipal

A Assembleia Municipal de Paredes de Coura aprovou o orçamento municipal para 2026, no valor de 30,16 milhões de euros, com 27 votos a favor – 24 do PS, dois independentes e um do PEV –, uma abstenção do PSD, e cinco votos contra do mesmo partido, justificando a decisão com a falta de medidas estruturais para o desenvolvimento do concelho.

Micaela Barbosa
8 Jan. 2026 3 mins
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Segundo o Executivo socialista, liderado por Tiago Cunha, o orçamento assenta no reforço das verbas para as freguesias, com um aumento de 25% nas transferências, na aposta em educação, cultura e habitação, e em medidas fiscais destinadas a aliviar a carga sobre famílias e pequenas empresas. Entre essas medidas, estão a redução da participação municipal no IRS, de 3% para 2,5%, a manutenção do IMI no valor mínimo e a fixação da derrama em 0% para empresas com volume de negócios até 150 mil euros. “Este orçamento é um compromisso com a proximidade, com a justiça social e com a criação de riqueza sustentável”, afirmou Tiago Cunha, citado numa nota enviada às redações, defendendo que o documento “acredita nas pessoas” e reforça a autonomia das freguesias.

O orçamento prevê, ainda, investimentos em infraestruturas económicas, nomeadamente a construção da Zona Industrial de Linhares e Ferreira e a ligação entre as zonas industriais de Formariz e da Castanheira.

A bancada do PSD justificou o voto contra por considerar que o orçamento “não traz nada de novo” e que não apresenta uma estratégia capaz de inverter a perda de população e de rendimentos no concelho.

O líder da bancada social-democrata na Assembleia Municipal, José Augusto Caldas, afirmou que o documento não contempla “uma visão mais arrojada para o desenvolvimento do território”, e criticou a ausência de avanços na desmaterialização dos serviços municipais e nas ferramentas de transparência que permitam aos cidadãos aceder online aos serviços da Câmara Municipal.

O social-democrata apontou, ainda, a falta de definição temporal na área da habitação, referindo que, embora exista a intenção de criar 50 fogos para arrendamento, “não é consagrado qual é o prazo em que isso vai funcionar”. Entre as críticas estão, também, a inexistência de uma rede de transportes entre as freguesias e a sede do concelho, e o que considera ser um insuficiente reforço da assistência de saúde nas freguesias, nomeadamente ao nível de médicos e enfermagem.

Apesar do voto contra, José Augusto Caldas reconheceu que o PSD concorda com algumas componentes do orçamento, como “o apoio à educação, às instituições e aos idosos”, sublinhando, no entanto, que essas medidas têm um caráter essencialmente funcional e não estratégico.

c/ Lusa

Tags Política

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