Janeiro marca o início da época da lampreia. No Alto Minho, é um prato culturalmente valorizado e apreciado. No entanto, antes de chegar à mesa, há todo um processo que exige “compreensão” e “conhecimento” do ecossistema e das técnicas envolvidas. Tudo começa no rio Minho, “o pai de muita gente”, que embora seja “uma pérola”, “já não é o que era”.
Venâncio Fernandes tem 68 anos. É pescador e atual presidente da Pesqueiras – Associação de Pescadores do Rio Minho, que está sediada em Alvaredo (Melgaço) e que conta com cerca de 75 pescadores, com uma idade média entre os 55 e os 60 anos.
Como tantos outros, nasceu e cresceu no rio Minho. Vem de uma família de pescadores e é “patrão” de oito pesqueiras, estruturas que têm diminuído ao longo dos anos. “Em 1947, estavam registadas 694 pesqueiras do lado português. Hoje, são cerca de 250. Diminuiu e vai diminuir ainda mais. O rio Minho mudou muito, e ninguém tem noção do que era”, lamentou, exemplificando com os quilos do salmão que se pescava e que, hoje, “já não existem”.
Segundo o pescador, o mesmo está a acontecer com a lampreia. Ao longo dos anos, “o número tem diminuído” e, consequentemente, “vai desaparecer”. “São vários os fatores. As autoridades e os biólogos estão alertados há muito tempo”, afirmou, confidenciando que alertou o Ministro da Agricultura sobre o rio Minho estar “doente” devido, por exemplo, “aos saneamentos e à barragem”. “Cada vez mais, há poluição no rio. Com a barragem, o caudal do rio sobe, numa hora e meia, seis e sete metros. Isto faz com que as espécies, quando desovam no meio da areia e, como tudo é pequeno, secam e morrem. Depois vem um corvo-marinho, apanha e leva”, descreveu.
Apesar de reconhecer o trabalho feito na Assembleia da República, o pescador lamenta que não oiçam “quem tem anos de experiência”, acusando os políticos de fazer leis “sem saber do que se trata”. “A lampreia é pouca, mas não é por causa dos pescadores. É porque já
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