A acumulação de resíduos fora dos contentores em várias zonas de Viana do Castelo esteve em debate na última reunião de Câmara, depois de o vereador do Chega ter criticado a situação e de o presidente do município admitir a necessidade de reforçar as ações de sensibilização junto da população.
José Belo classificou a situação como “uma vergonha”, apontando para imagens de resíduos acumulados no espaço público. “Em algumas zonas da cidade, o lixo está fora dos contentores durante dias, o que transmite uma péssima imagem”, afirmou o vereador, questionando a eficácia do sistema de recolha.
Na resposta, o presidente da Câmara Municipal, Luís Nobre, afastou a ideia de falhas estruturais no serviço, atribuindo o problema a um conjunto de fatores circunstanciais. Segundo o autarca, o aumento de resíduos resultou do período festivo do Natal e da passagem de ano, associado a constrangimentos operacionais. “Houve um período de maior depósito de resíduos e, simultaneamente, uma descontinuidade do serviço assegurado pela Resulima devido à quadra festiva, o que provocou pressão suplementar sobre os equipamentos”, explicou, acrescentando que, no mesmo dia, três camiões dos Serviços Municipalizados avariaram, condicionando a resposta no terreno.
A Resulima é responsável pela recolha e pelo tratamento de resíduos numa vasta área do Vale do Lima e do Baixo Cávado, que abrange seis municípios — Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Viana do Castelo, Barcelos e Esposende —, numa área de cerca de 1.743 quilómetros quadrados e com uma população aproximada de 307 mil habitantes.
Apesar das justificações apresentadas, o presidente da Câmara Municipal reconheceu que a interpelação do vereador expôs um problema que vai além da capacidade de recolha. “A observação sobre o aumento da má utilização dos equipamentos despertou-nos para a necessidade de reforçar o trabalho ao nível da sensibilização”, admitiu.
Segundo Luís Nobre, já estão previstas ações nesse sentido, tanto no plano de atividades dos Serviços Municipalizados como no orçamento municipal. “Estão contempladas ações de sensibilização e investimento na aquisição de novos equipamentos, não só de recolha, mas também de depósito”, disse.
O autarca deixou, ainda, um apelo direto aos munícipes, sublinhando que a responsabilidade é partilhada. “Se um contentor está cheio, o seguinte pode não estar. Temos de fazer esse exercício. Houve muita sensibilização para a separação de resíduos, mas hoje tem de haver também para a correta utilização dos equipamentos”, afirmou.
A oposição, por sua vez, insiste que a repetição destes episódios revela “fragilidades” que não podem ser explicadas apenas por períodos festivos, defendendo uma resposta mais “eficaz e preventiva” para “evitar que o lixo volte a acumular-se no espaço público”.
c/ Lusa
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