Cineplace encerra cinemas em Guarda e Caldas da Rainha. Salas de Viana do Castelo continuam abertas

A exibidora Cineplace encerrou os cinemas que explorava nos centros comerciais de Guarda e Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, no âmbito da aplicação de um Plano Especial de Revitalização (PER). Apesar destes encerramentos, as salas de cinema em Viana do Castelo e Braga continuam em funcionamento.

Micaela Barbosa
8 Jan. 2026 4 mins

A decisão abrange um total de oito salas de cinema, localizadas nos centros comerciais La Vie, deixando as duas cidades sem exibição regular de cinema. Fonte da administração daqueles centros comerciais explicou que o encerramento resulta de um PER apresentado pela exibidora, sublinhando que “o modelo de negócio atualmente exigido implica a garantia de números mínimos de afluência de espectadores, condição que tem sido muito difícil de atingir de forma consistente, nos últimos anos”.

Com o fim do contrato de exploração com a Cineplace, a administração dos centros comerciais adiantou, ainda, que está a estudar “novas soluções e conceitos que possam responder às expectativas da comunidade local”.

Em contraste com os encerramentos agora confirmados, os cinemas explorados pela Cineplace em Viana do Castelo mantêm-se em atividade. No entanto, o futuro das quatro salas do Estação Viana Shopping permanece sob acompanhamento, depois de ter sido conhecido, em agosto, um pedido de desafetação apresentado pelos proprietários do centro comercial.

Na altura, a Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) confirmou que “o pedido de desafetação foi efetuado pelo proprietário: Estação Viana Centro Comercial, SA”. Segundo a mesma entidade, “a justificação apresentada pela requerente para o pedido assenta no facto de as salas de exibição cinematográfica não terem, atualmente, espectadores em número suficiente que justifiquem o seu funcionamento”.

O operador dos cinemas rejeitou qualquer cenário de encerramento, afirmando que o encerramento “não tem qualquer fundamento”, assegurando estar a “desenvolver planos para investir na modernização do cinema de Viana do Castelo”.

Também a Sonae Sierra, responsável pela gestão do centro comercial, garantiu que “de momento, no que respeita aos cinemas, estes mantêm a sua operação habitual, sem qualquer alteração”, embora tenha admitido que “está em constante análise de diferentes oportunidades dentro da gestão do seu ativo”, com o objetivo de “oferecer um ‘tenant mix’ equilibrado e melhorar a experiência do visitante”.

O Ministério da Cultura confirmou que o pedido de desafetação foi apresentado a 20 de maio, não existindo “prazo limite fixado para ocorrer”.

A situação levou o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, a anunciar que iria solicitar esclarecimentos formais à administração da Sonae Sierra. Para o autarca, “o cinema é uma atividade cultural de grande relevância para o concelho e para a região”, defendendo que, caso exista alguma alteração, deve ser garantido que o espaço “não seja destinado a outros fins”.

Além das quatro salas do Estação Viana Shopping, o distrito de Viana do Castelo conta com mais quatro estruturas com dados de bilheteira registados no Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA): o Cinema Verde Viana, o Auditório da Casa das Artes de Arcos de Valdevez, o Cineteatro dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, em Caminha, e o Cineteatro João Verde, em Monção.

O caso da Cineplace insere-se num contexto nacional de reconfiguração da exibição cinematográfica. Nos últimos meses, também a NOS Lusomundo Cinemas encerrou várias salas em centros comerciais do país, incluindo MaiaShopping, Tavira Grand Plaza, Fórum Viseu e zona comercial do Estádio de Alvalade, em Lisboa.

Por sua vez, o Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia, foi autorizado a desafetar a atividade cinematográfica em nove das suas 20 salas, por razões de “viabilidade económica”, segundo a IGAC.

Perante este cenário, a Ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, anunciou a criação de um grupo de trabalho para analisar o encerramento de salas de cinema em Portugal. Em dezembro, a governante disse que este grupo, que integra a IGAC e o ICA, irá “olhar para o histórico dos últimos três anos” relativos a pedidos de desafetação, devendo apresentar conclusões no primeiro trimestre deste ano.

c/Lusa

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