A eleição dos presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) ficou marcada por uma exceção: o Norte foi a única região do país onde houve uma verdadeira disputa eleitoral. Álvaro Santos, indicado por PSD e PS, venceu António Cunha, candidato independente e presidente cessante, num ato eleitoral que registou também a menor abstenção e os níveis mais baixos de votos brancos e nulos a nível nacional.
De acordo com os resultados provisórios da Direção-Geral da Administração Local (DGAL), Álvaro Santos obteve 56,11% dos votos, contra 39,77% de António Cunha, num colégio eleitoral composto por 4.126 autarcas, dos quais 3.928 votaram. A abstenção ficou-se pelos 4,7%, significativamente abaixo da média nacional, e os votos brancos e nulos somaram pouco mais de 4%.
A elevada participação contrasta com o que se verificou noutras regiões e é lida como reflexo direto da existência de duas candidaturas, num processo que, no restante país, foi dominado por candidatos únicos resultantes de um acordo político entre PSD e PS.
As eleições indiretas para as CCDR confirmaram a divisão das cinco presidências entre os dois maiores partidos: três para o PS (Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve) e duas para o PSD (Norte e Centro). Ainda assim, o modelo voltou a ser alvo de críticas de vários quadrantes políticos.
PCP e Chega, bem como alguns autarcas socialistas, contestaram o acordo entre PSD e PS, considerando que o processo limita a pluralidade democrática e reforça uma lógica centralista. Em algumas regiões, essas críticas traduziram-se em taxas elevadas de votos em branco, como em Lisboa e Vale do Tejo (23,47%) e no Alentejo (22,48%).
No Norte, António Cunha apresentou-se como alternativa a esse entendimento partidário, defendendo maior autonomia regional e criticando a concentração de decisões nos diretórios nacionais. Apesar da derrota, classificou a sua candidatura como “um bom combate”, sublinhando que representou uma visão diferente para o território.
Na reação à vitória, Álvaro Santos afirmou assumir o cargo com “humildade” e “profundo sentido de responsabilidade”, defendendo que o resultado representa confiança num projeto coletivo para a região. O novo presidente da CCDR-Norte promete “dar início a um novo ciclo”, assente na exigência, ambição e capacidade de execução.
Ex-vice-presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Álvaro Santos herda uma CCDR com um papel cada vez mais relevante na gestão de fundos comunitários e na coordenação de políticas públicas regionais.
Além de Álvaro Santos no Norte, foram eleitos José Ribau Esteves (PSD) no Centro, Teresa Almeida (PS) em Lisboa e Vale do Tejo, Ricardo Pinheiro (PS) no Alentejo e José Apolinário (PS) no Algarve. Todos garantiram mais de 50% dos votos dos respetivos colégios eleitorais.
As CCDR passam agora a cumprir mandatos de quatro anos, num modelo de eleição indireta que substituiu, desde 2020, a nomeação direta pelo Governo, um passo considerado por uns como avanço democrático e por outros como insuficiente sem uma verdadeira regionalização político-administrativa.
c/ Lusa
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