As Forças Armadas merecem respeito, não caricatura

José Lago Gonçalves
7 Fev. 2026 3 mins
José Lago Gonçalves

Esta semana, na sequência de peças difundidas pela TVI e pela CNN Portugal, as Forças Armadas Portuguesas foram colocadas no centro do debate público, não pelo seu papel operacional ou pelo serviço prestado ao país, mas como cúmplices de um alegado ato de propaganda política.

Isto não é aceitável.

Primeiro, porque não houve qualquer ato de propaganda política. Segundo, porque as Forças Armadas nunca contribuiriam, nem contribuíram, para esse efeito.

É legítimo, e saudável, que a comunicação social escrutine instituições públicas. O problema surge quando esse escrutínio se transforma numa caracterização e adjetivação indevidas das Forças Armadas enquanto instituição, colocando em causa a sua honorabilidade, o seu serviço público e o seu patriotismo.

As Forças Armadas não comunicam para se defenderem no espaço mediático. Não entram em debates televisivos. E é precisamente por isso que exigem um cuidado redobrado por parte de quem tem o dever de informar.

Reduzir o seu papel a reportagens factualmente erradas, ou omitir o papel dos militares na resposta a uma calamidade como se ele fosse inexistente, pode gerar audiências. Mas tem um custo elevado, porque fragiliza a confiança pública, atinge a dignidade de quem serve dentro e fora do país, e transmite uma ideia errada sobre a capacidade do Estado.

Por isso, seria desejável que a comunicação social fizesse o que exige frequentemente aos outros: corrigir, contextualizar e retratar-se quando o enquadramento falha.

Ironicamente, foi nos dias da recente tempestade que se tornou mais evidente aquilo que as reportagens não evidenciaram, que as Forças Armadas estiveram no terreno a apoiar populações, garantiram a logística e o reforço da proteção civil.

Sem ruído.

Sem conferências de imprensa.

Sem necessidade de reconhecimento imediato.

Este é o paradoxo que o debate mediático deveria esclarecer, pois questionam-se as Forças Armadas em estúdio enquanto elas garantem, no terreno, a segurança e a resposta.

Num tempo de crises, de desafios geopolíticos e crescente exigência sobre o Estado, descredibilizar quem assegura a última linha de resposta não é um detalhe.

As Forças Armadas Portuguesas mereciam mais do que simplificação quando são notícia.

O respeito por quem defende o país não é facultativo. É um dever democrático.

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