Num discurso centrado na defesa da democracia e na rejeição do radicalismo, António José Seguro apresentou-se, em Viana do Castelo, como a alternativa “tranquila” aos extremos políticos, avisando que as democracias já não caem com golpes militares, mas sim “por dentro”, através de um “vírus” que mina as instituições.
Perante um teatro cheio, o candidato presidencial apoiado pelo PS dirigiu-se diretamente aos eleitores moderados, defendendo que o extremismo e o radicalismo “não são solução, são parte do problema”. António José Seguro afirmou ser o candidato “em melhores condições de passar à segunda volta” e pediu o voto de quem “confia no diálogo, na democracia” e quer um Presidente que respeite a Constituição e o Estado social.
O antigo líder socialista insistiu na ideia de que a democracia é hoje mais vulnerável a processos internos de erosão do que a ameaças externas. “Hoje as democracias derrubam-se por dentro. É uma espécie de vírus. Entra nas instituições por via eleitoral e depois vai-as destabilizando, retirando-lhes credibilidade”, afirmou, deixando um aviso claro: “a nossa democracia nunca está garantida”.
Ao longo da intervenção, António José Seguro procurou reforçar o perfil presidencial que promete assumir caso seja eleito, apresentando-se como um fator de estabilidade num contexto político que considera marcado por riscos de radicalização. “Sou o Presidente dos novos tempos, o Presidente da mudança, o Presidente do futuro. Sou mesmo uma força tranquila. Não preciso andar aos gritos. Não preciso andar aos berros”, sublinhou.
O candidato reiterou ainda a recusa de uma campanha baseada no ataque pessoal, defendendo que o confronto político deve centrar-se nas ideias e não nos insultos. “Afirmar divergências não é andar na lama. Tenho consideração pelos meus adversários porque isso é o papel de um democrata, sobretudo quando se quer ser o Presidente de todos os portugueses”, disse.
Na plateia estiveram várias figuras do PS, entre elas Miguel Alves, Marina Gonçalves e José Maria Costa, antigos governantes dos executivos liderados por António Costa. Marcou também presença Abel Baptista, ex-deputado do CDS-PP eleito pelo círculo de Viana do Castelo, cuja participação foi assinalada pelo próprio Seguro.
c/Lusa
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