Viana do Castelo discute futuro do transporte urbano e acessibilidade no centro histórico

A mobilidade urbana voltou a ser debatida na reunião camarária de Viana do Castelo, com destaque para o futuro tarifário do sistema de Transportes Urbanos (TUViana) e a situação dos parques de estacionamento no centro histórico.

Micaela Barbosa
18 Mar. 2026 4 mins

O presidente da Câmara, Luís Nobre, anunciou que as viagens nos autocarros do TUViana, gratuitas desde setembro de 2025, passarão a ser pagas a partir de abril, após seis meses de operação sem cobrança. “[Serão gratuitos] até à publicação do tarifário que já foi enviado para Diário da República. Entrará em funcionamento a qualquer momento”, afirmou. 

O novo tarifário prevê um passe geral de 20 euros (mais cinco euros de emissão), dez euros para pessoas com deficiência e seniores, e bilhetes ocasionais de um euro (pré-comprados) ou 1,5 euros (comprados a bordo), válidos por uma hora.

Segundo o autarca, a medida visa “garantir a sustentabilidade financeira do sistema”, que cobre 293 quilómetros com 17 autocarros, e “simplificar a tabela de preços”, passando de 48 para 10 tarifas.

“(…) os vianenses esperam clareza, estabilidade e planeamento”

No período antes da ordem do dia, o vereador Duarte Martins, do PDS (eleito pela AD), questionou a Câmara sobre a situação da antiga operadora AV Cura, cuja licença comunitária foi recentemente revogada pelo Instituto da Mobilidade e Transportes (IMT), e os impactes nos contratos municipais. “Quando estão em causa centenas de milhares de euros de dinheiro público, os vianenses esperam clareza, estabilidade e planeamento”, disse.

Luís Nobre respondeu que, imediatamente após a revogação da licença, foi contratada a Empresa de Transportes Courense, do grupo AVIC, garantindo a continuidade do serviço e minimizando impactes para os utilizadores. 

O autarca reforçou a aposta da Câmara em transporte público elétrico, modos suaves e integração urbana, defendendo que “o modelo atual da cidade prioriza sustentabilidade e humanização do espaço público”.

“Os parques centrais funcionam quase como uma portagem feudal”

No mesmo período, o vereador  Paulo Morais, do PSD (eleito pela AD), criticou os parques mais centrais, como o “Parque da Avenida” e o “Parque Primeiro de Maio”, apontando preços elevados e acesso difícil. “Os vianenses não podem vir almoçar, jantar ou fazer compras sem pagarem cinco ou seis euros de parque. Isso impede a reanimação do centro histórico e afeta o comércio local. Os parques centrais funcionam quase como uma portagem feudal”, afirmou.

O vereador propôs que a Câmara negociasse com os operadores privados para “tornar os parques mais acessíveis” e que fosse criado “um plano diretor de estacionamento na cidade”, com zonas gratuitas e preços reduzidos para os cidadãos.

Em resposta, Luís Nobre referiu que, embora reconheça os desafios, o estacionamento é apenas uma parte da estratégia de mobilidade integrada da Câmara. “Discordo em parte da análise”, admitiu, explicando: “Estamos a promover transporte coletivo, modos suaves e projetos como o cartão Viana Pocket, que integra transporte, serviços e incentivos ao consumo, reforçando o centro histórico sem sobrecarregar os cidadãos.” 

O presidente destacou ainda que “a maioria dos parques públicos previstos em planos urbanísticos já foi construída” e que “a Câmara respeita a dinâmica dos parques privados, incluindo a gestão e tarifação destes espaços”. “O que estamos a fazer é construir uma cidade mais sustentável e um centro histórico mais apelativo. A nossa prioridade é integrar transporte público, modos suaves, espaços de convivência e projetos que incentivem a circulação e o consumo, sem sobrecarregar os cidadãos”, salientou, acrescentando que a Câmara trabalha em coordenação com urbanistas, arquitetos e entidades reguladoras para “criar um centro histórico mais apelativo, sustentável e acessível”, e que decisões sobre concessões e contratos futuros, como o Parque do Campo d’ Agonia, serão tomadas no momento adequado.

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